Igreja missionária e misericordiosa

Outubro 2016 / Invencíveis

O Jubileu da Misericórdia, que a Igreja está a viver, marca também o Dia Mundial das Missões de 2016: convida-nos a olhar a missão como uma imensa obra de misericórdia quer espiritual quer material.

 

O Papa Francisco escreveu, como é já habitual, uma mensagem para o Dia Mundial das Missões, que este ano se celebra a 23 de outubro. Diz o papa que a finalidade deste dia é renovar a convocação de «todos os cristãos a “sair”, como discípulos missionários, pondo cada um a render os seus talentos, a sua criatividade, a sua sabedoria e experiência para levar a mensagem da ternura e compaixão de Deus à família humana inteira». Em particular, a Igreja pensa preferencialmente naqueles que «não conhecem o Evangelho, pois deseja que todos sejam salvos e cheguem a experimentar o amor do Senhor».

 

Missão faz-se com fé e caridade

Escreve Francisco que a misericórdia gera alegria íntima no coração do Pai, sempre que encontra cada mulher, homem, idoso, jovem e criança. Ele, «Deus benigno, solícito, fiel; aproxima-Se de quem passa necessidade para estar perto de todos, sobretudo dos pobres; envolve-Se com ternura na realidade humana, tal como fariam um pai e uma mãe na vida dos seus filhos». De facto, «é ao ventre materno que alude o termo utilizado na Bíblia hebraica para dizer misericórdia: trata-se, pois, do amor de uma mãe pelos filhos; filhos que ela amará sempre, em todas as circunstâncias suceda o que suceder, porque são fruto do seu ventre. Este é um aspeto essencial também do amor que Deus nutre por todos os seus filhos, especialmente pelos membros do povo que gerou e deseja criar e educar: perante as suas fragilidades e infidelidades, o seu íntimo comove-se e estremece de compaixão».

Naturalmente, os cristãos, «aceitando e seguindo Jesus por meio do Evangelho e dos Sacramentos, com a ação do Espírito Santo, tornamo-nos misericordiosos como o nosso Pai celestial, aprendendo a amar como Ele nos ama e fazendo da nossa vida um dom gratuito, um sinal da sua bondade», menciona o papa.

Em seguida, Francisco expressa com satisfação, como, por todo o mundo, «há tantos homens e mulheres de todas as idades e condições que dão testemunho deste amor de misericórdia. Sinal eloquente do amor materno de Deus é uma considerável e crescente presença feminina no mundo missionário, ao lado da presença masculina. As mulheres, leigas ou consagradas – e hoje também numerosas famílias – realizam a sua vocação missionária nas mais variadas formas: desde o anúncio direto do Evangelho ao serviço sociocaritativo. […] Em muitos lugares, a evangelização parte da atividade educativa», que ele apelida de «serviço materno da misericórdia».

O número dos discípulos «cresce graças à fé e à caridade dos evangelizadores, que são testemunhas de Cristo», e o fruto da sua ação é a renovação da sociedade: «Os missionários sabem, por experiência, que o Evangelho do perdão e da misericórdia pode levar alegria e reconciliação, justiça e paz.»

Por fim, à maioria dos cristãos que não vão pelo mundo, o Papa Francisco pede «gestos missionários de comunhão eclesial»: orações, donativos e/ou a oferta da vida.

Por: Fernando Félix

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