Guerra na Síria: Sofrimentos indescritíveis

Março 2014 / Vária

Guerra na Síria já atingiu mais de três milhões de crianças.

O primeiro relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a guerra na Síria (acessível aqui: www.un.org/Docs/journal/asp/ws.asp?m=s/2014/31) é tão claro quanto terrível: Governo e as milícias da oposição são responsáveis por assassínios, mutilações, torturas e recrutamento de crianças e jovens para combate.

A guerra na Síria dura há três anos. Já matou mais de cem mil pessoas. Dos 22 milhões de sírios, quase sete milhões são deslocados internos, fugitivos das cidades e localidades sob bombardeamentos e disparos. Mais de dois milhões procuraram refúgio em países vizinhos. Estima-se que quase dez milhões de sírios necessitem de assistência humanitária urgente, dos quais três milhões são crianças, «sujeitas a um sofrimento indescritível nestes quase três anos de guerra civil no país», como denuncia o documento.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tem repetido o apelo de que «as violações dos direitos humanos têm de acabar imediatamente». O relatório da ONU enumera uma série de horrores praticados na Síria desde 11 de março de 2011, em que a oposição tenta retirar o presidente Bashar al-Assad do poder: além das mortes e mutilações, há detenções arbitrárias e desaparecimento de crianças, algumas de apenas 11 anos, acusadas pelas autoridades sírias de associação a grupos armados, violações, agressões com chicotes e cassetetes, choques elétricos e queimaduras com cigarro, ataques indiscriminados e uso de armas químicas.

O trauma pelos horrores vividos e testemunhados e as carências são comuns a praticamente todos os sírios. A falta de alimento, as condições deficientes de higiene, a destruição das casas e das estruturas do país – desde escolas a hospitais, passando pelas estradas e outras vias de comunicação e o fornecimento de energia elétrica e de combustível –, a assistência sanitária debilitada, tudo isto preocupa as Nações Unidas, que colocou no terreno equipas da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Programa Alimentar Mundial, o Alto Comissariado para os Refugiados e a Unicef.

Todos podemos ajudar. Uma das formas é contribuir através da Unicef em Portugal: www.unicef.pt.

Uma freira trabalha pela paz

A Irmã Agnes Mariam de la Croix está na Síria há vinte anos. Fundou o movimento Mussalaha («Reconciliação»), para informar a comunidade internacional do que se passa no país, promover o diálogo entre Governo e combatentes da oposição, evacuar refugiados e prestar assistência alimentar e de saúde no país.

 

Apelo do Papa Francisco

«Oro ao Senhor para que sensibilize o coração de todos a fim de que, procurando unicamente o maior bem do povo sírio, tão provado, não poupem nenhum esforço para alcançar urgentemente o fim da violência e do conflito, que já causou demasiado sofrimento. Desejo à amada Nação síria um decidido caminho de reconciliação, concórdia e reconstrução, com a participação de todos os cidadãos, onde cada um possa encontrar no outro não um inimigo, nem concorrente, mas um irmão para acolher e abraçar.»

 

Por: Fernando Félix

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