Futebol para africanos que jogam em África

Janeiro 2018 / Campeões

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Uma cabeçada certeira, lá nas alturas, acalmou a multidão nervosa que, no Estádio Nacional 11 de Novembro, em Luanda, acabara de ver Job chutar ao lado da baliza de Madagáscar, na transformação de um penálti. O golo solitário de Dani Massunguna foi suficiente para apurar Angola para a fase final do Campeonato Africano das Nações, depois do empate a zero em Antananarivo.

De regresso à seleção, após um afastamento prolongado, o defesa, que gosta de ouvir música gospel e tem a Bíblia como livro preferido, tornou-se o herói dos angolanos, desejosos de ver os Palancas Negras novamente numa competição internacional. Angola será a única seleção lusófona no Marrocos 2018.

 

Campeonato Africano das Nações

O Campeonato Africano das Nações, que começa no dia 13 de janeiro e tem a final agendada para 4 de fevereiro, em Casablanca, é uma prova sui generis, pois, ao contrário da mais famosa CAN (Taça das Nações Africanas) e das restantes competições continentais de seleções, só admite futebolistas que joguem em clubes africanos. Ou seja, excluindo os craques que emigraram para (sobretudo) a Europa, a prova – disputada de dois em dois anos, em alternância com a CAN – é genuinamente africana.

Mas isso implica maior dificuldade de organização, apesar de ter sido encontrado um patrocinador. Marrocos só foi escolhido como país anfitrião em outubro, depois de a Confederação Africana de Futebol (CAF) ter sido obrigada a retirar o evento ao Quénia, incapaz de se preparar para receber as 16 seleções finalistas.

Das 54 federações africanas, seis não participaram na qualificação. Cabo Verde não se inscreveu, tal como a Tunísia e a Eritreia. Chade e República Centro-Africana foram desqualificados. O Quénia estava dispensado da fase de apuramento, na qualidade de (suposto) organizador.

 

A quinta edição do Campeonato Africano das Nações não terá mais países lusófonos do que Angola. A Guiné-Bissau foi eliminada pela vizinha Guiné Conacri (1-3 e 0-7), São Tomé e Príncipe pelos Camarões (0-2 e 0-2) e Moçambique por Madagáscar (2-2 e 0-2, em casa).

A República Democrática do Congo, que já tem dois títulos e é a atual campeã, falhou o apuramento, pela regra que favorece quem marca mais golos fora de casa, perante o vizinho Congo. Como a Tunísia – que venceu Angola (3-0) na final de 2011 – também falhará o Marrocos 2018, a Líbia é o único país que pode voltar a festejar.

Angola fará os três jogos da fase de grupos em Agadir, frente a Burkina Faso (dia 16), Camarões (20) e Congo (24). Se ficarem em 1.º ou em 2.º lugar, os Palancas Negras seguirão para os quartos-de-final e continuará de pé o sonho, que começou com um triunfo nas ilhas Maurícias (1-0), mercê de um penálti convertido por Job, o médio que voltou a marcar na segunda mão (3-2), em Luanda, antes de Geraldo e Vá confirmarem a passagem da eliminatória.

Por: Luís Óscar

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