Futebol não alinhado

Maio 2018 / Campeões

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A maior parte dos fãs do futebol na Europa vive a ansiedade própria dos momentos que antecedem as grandes decisões em cada país e, em todo o mundo, já há muitas cabeças a pensar quase exclusivamente no Mundial que já está à porta.

Mas antes da competição que concentrará na Rússia as grandes estrelas internacionais, uma curiosa prova similar reunirá em Londres 16 seleções de nações, dependências, Estados não reconhecidos, povos sem Estado, regiões e micronações filiadas na Confederação de Associações de Futebol Independentes (ConIFA), que está para a FIFA (Federação Internacional de Futebol Associação) como os países não alinhados estão para a ONU.

A ConIFA tem 47 membros, sede em Lulea (Suécia) e organiza, além do Mundial, um Europeu, um Mundial feminino e um Mundial de futebol de praia.

Apesar de, por razões logísticas, se disputar em seis pequenos estádios da capital inglesa, a terceira edição do Mundial ConIFA tem como organizador a cidade de Barawa, no sudeste da Somália, entre a capital, Mogadíscio, e Kismayo. Localmente chamada Mini, a localidade portuária de 30 mil habitantes também é conhecida por Brava, devido aos portugueses, que a invadiram no início do século xvi, com Tristão da Cunha a desejar mais uma base para dominar o oceano Índico.

O primeiro Mundial ConIFA foi organizado em 2014, na Lapónia, a região do norte da Escandinávia que abrange territórios de quatro países: Noruega, Suécia, Finlândia e Federação Russa (península de Kola). Venceu o Condado de Nice (França).

Há dois anos, a segunda edição ocorreu na Abcásia, região no Cáucaso, com 250 mil habitantes, que se declarou independente da Geórgia após a guerra civil de 1992-1993, mas que apenas é reconhecida pela Rússia, Venezuela, Nicarágua, Nauru, Vanuatu e Tuvalu e por outros Estados também não reconhecidos como a Ossétia do Sul. A seleção anfitriã triunfou.

 

O Mundial ConIFA 2018

A 31 de maio, quatro grupos de quatro seleções entrarão em ação. Desde países soberanos – como Tuvalu, que substituirá Quiribati (não reuniu condições financeiras para participar), ambos da Oceânia – até grupos de migrantes – como os coreanos no Japão, o Tamil Eelam (jogadores da tribo do Sri Lanka radicados no Canadá, Reino Unido e Suíça) ou a Panjab (a comunidade panjábi no Reino Unido, e não a região indiana do Punjab) –, haverá espaço para os “craques alternativos”.

Africanos, além de Barawa (também representada por somalis residentes em Inglaterra), estarão presentes Matabeleland (região ocidental do Zimbabué) e Cabília (povo do norte da Argélia). A maioria é oriunda da Europa e da Ásia. Da América vem a Cascádia, região na costa do Pacífico coincidente com os Estados de Oregon e Washington (EUA) e a província da Columbia Britânica (Canadá).

A qualificação para o Mundial ConIFA 2018 incluiu competições como a Taça Herança Húngara, para equipas da diáspora húngara, ou a Taça da Unidade Mundial, destinada a comunidades deslocadas e refugiados. A 9 de junho, no 48.º jogo, será encontrado o novo campeão mundial… não alinhado com a FIFA.

Acompanha este mundial alternativo na página http://www.conifa.org.

Por: Luís Óscar

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