Futebol na rua para ajudar

Janeiro 2016 / Campeões

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No verão, quando Lyon estiver «a ferver» com os jogos do Euro 2016, haverá alguém no centro da segunda cidade francesa a competir longe dos focos das televisões, com o mesmo empenho dos supercraques das seleções europeias que concentrarão as atenções no Stade de Lyon. No Sport dans la Ville Campus, entre 28 de junho e 7 de julho, os 500 rapazes e raparigas finalistas do Streetfootballworld Festival 16, vindos de comunidades desfavorecidas de vários pontos do mundo e que não foram escolhidos pela sua habilidade em campo mas pela vontade de mudar o mundo por meio do futebol, não estarão a jogar pela glória, mas sim para recolher mais algumas importantes lições de vida.

 

Não é a primeira vez que damos exemplos de utilização do desporto como estratégia para atrair jovens para estilos de vida saudáveis. Particularmente o futebol é utilizado com ótimos resultados no combate à pobreza, à exclusão ou à xenofobia.

Em Portugal, a Associação Nacional de Futebol de Rua utiliza esta modalidade, apoiada internacionalmente pela própria FIFA, para chegar a bairros onde é necessária intervenção junto dos jovens, com o objetivo de estimular entre eles o espírito de equipa, o sentimento de pertença, a luta por um objetivo comum e o diálogo intercultural.

O Futebol de Rua baseia-se nas leis internacionais do futebol, mas com particularidades marcantes.

As equipas são mistas (rapazes e raparigas) e com jogadores de várias faixas etárias. Têm quatro jogadores (um guarda-redes e três jogadores de campo) e até quatro suplentes, orientados por um técnico social e por um técnico desportivo.

Os jogos têm duas partes, cada uma com sete minutos, disputados em campos de 16 por 21 metros, com tabelas de delimitação de 1,10 metros de altura, e as balizas têm 1,30

por 4 metros.

 

O Futebol de Rua acaba por ser apenas pretexto para mobilizar adolescentes. Paralelamente aos torneios decorrem atividades culturais e educacionais, fornecendo competências a estes jovens que, depois, podem aplicá-las nas suas comunidades.

A Associação Nacional de Futebol de Rua desenvolveu nos últimos anos o projeto Bola P’rà Frente, baseado nos princípios de empoderamento, igualdade de oportunidades e parceria, contribuindo para a melhoria das competências de jovens dos 11 aos 24 anos do

Bairro Padre Cruz (Lisboa), com percursos marcados por absentismo, abandono e insucesso escolar e problemas de pobreza ou exclusão social.

O poder e a paixão espontânea pelo futebol também foram utilizados em Iringa (Tanzânia), no torneio que juntou, entre 6 e 11 de dezembro, equipas do continente africano sob os valores do fair play, da inclusão e do respeito, mais valorizados do que o desempenho desportivo. Como é habitual, a par da competição, os jovens receberam formação sobre temas como a sida e a igualdade de género.

Por: Luís Óscar

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