Francisco e o irmão petróleo

Abril 2018 / Casa Comum

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Personagens: Francisco de Assis, Brasileiro, Empresário, Maria e João

 

Teatro ecológico para ser lido ou representado.

 

FRANCISCO: A paz esteja convosco! Estou no Brasil. Viajo no rio mais caudaloso do mundo, o grande Amazonas, o rio mar, como lhe chamam. Ao meu redor, árvores imensas, uma selva densa…

BRASILEIRO: Irmão Francisco, chegámos.

FRANCISCO: Mas tinha-me dito que íamos à cidade mais bonita do mundo…

BRASILEIRO: E é aqui: uma cidade petrolífera. Esses poços que vê ao fundo são de uma empresa chinesa. Mais adiante, estão os americanos. Deste lado do rio, os brasileiros, lá à frente, os argentinos… Há petróleo por todo o lado!

FRANCISCO: E chama bonito a isto?!…

BRASILEIRO: O petróleo é riqueza. É ouro negro. O petróleo é dinheiro.

PETRÓLEO: Olha para baixo, Francisco… Fala comigo, com esta mancha negra e viscosa que estás a pisar. Ouve a minha atribulada história. Há milhões de anos, eu fui floresta… Quando a minha vida terminou, voltei à terra… Decompus-me… E, com o tempo, fui-me convertendo nesta pasta negra. Agora sou petróleo.

FRANCISCO: Ah!…

PETRÓLEO: Empresários poderosos perfuram poços para me retirarem do interior da terra e do fundo dos mares.

EMPRESÁRIO: Extraímos-te porque és energia. Queimando-te, moves motores, dás luz e calor. As tuas propriedades impermeabilizantes e adesivas servem para fabricar asfalto, plásticos e até roupa. Muitas coisas no mundo dependem de ti.

PETRÓLEO: Mas eu sujo, contamino. O meu irmão Carvão também suja, mas menos. Assim como o meu irmão Gás. Mas eu sou o pior de todos.

MARIA: Além disso, à tua procura, as empresas afetam a vida dos povos indígenas, separam as famílias, introduzem o álcool e a prostituição, poluem a água… Uma desgraça!

JOÃO: E as pessoas não protestam?

PETRÓLEO: Sim, mas prendem os líderes que protestam e alguns são mortos.

EMPRESÁRIO: Os desastres acontecem, mas as empresas compensam as comunidades com benefícios: abrimos escolas, construímos campos desportivos… Sem nós, os índios ainda andariam nus e comeriam apenas mandioca. Nós trouxemos progresso à selva.

PETRÓLEO: Ouviram? Assim pensam os empresários e muitíssima gente. Não conseguem imaginar o progresso e o desenvolvimento sem mim. No entanto, antes de eu acabar, terei acabado com eles. Porque o calor e os gases que eu produzo vão arruinar o planeta.

JOÃO: Há mais lugares como este?

PETRÓLEO: Na Venezuela, onde estão as maiores reservas, Colômbia, Bolívia, no Peru, Equador… Aí, até o Yasuní, um paraíso, a zona com mais biodiversidade da Terra, estão a destruir para me extrair.

MARIA: Qual é a solução para esta tragédia?

PETRÓLEO: Que me deixem em paz. Que não extraiam nem mais um barril. Que adiram de vez às energias limpas!

 

Adaptado da série radiofónica Laudato Si’ da Rede Eclesial Panamazónica (REPAM). Podes ouvir os áudios em http://zip.net/bttm7m

Por: Audácia

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