Francisco e a mãe Terra

Julho-Agosto 2016 / Casa Comum

 

Teatro ecológico: Para ser lido ou representado.

Personagens: Francisco de Assis, Mãe Terra, João e Maria.

 

FRANCISCO: Paz e bem! Eu sou Francisco de Assis. Vocês poderão perguntar o que faço aqui. Bem… disseram-me que há problemas graves na nossa casa comum. Também me informaram que há um papa que escreveu uma carta sobre a Ecologia, um papa chamado Francisco, como eu. Por isso vim, para ver o que está a acontecer com a Irmã Terra e com as suas criaturas…

TERRA: Psst!… Psst!

FRANCISCO: Ouço um zunido… Quem me chama?

TERRA: Eu, Francisco, a tua mãe.

FRANCISCO: Minha mãe, Pica?

TERRA: Não, Francisco. A Mãe Terra.

FRANCISCO: Ah! Olá!!!

TERRA: Encanta-me que me chames assim, porque tu e todos os seres vivos nascem em mim, de mim se alimentam, e, quando se corta o fio da vida, regressam ao meu seio.

FRANCISCO: Mas acho-te triste, Mãe Terra… O que tens?

TERRA: Tu lembras-te, Francisco, quando chegaste, caminhando, ao vale de Rieti, no centro da Itália?

FRANCISCO: Foi o lugar mais bonito que vi na minha vida… Todo verde, exuberante, cercado por montanhas com picos nevados… E as nascentes eram cristalinas, com água límpida e fresca… Um paraíso, Mãe Terra!

TERRA: Eu tinha mil e um paraísos como esse, Francisco. A minha pele verde cobria países inteiros, continentes… Tinha florestas, rios, lagos, vales esplêndidos…

FRANCISCO: Porque dizes «tinha»? O que aconteceu, Mãe Terra?

TERRA: Nos séculos xix e xx, sobretudo, os seres humanos têm contaminado a casa comum… Não sentes o cheiro?

FRANCISCO: Cheira mal, sim… Talvez seja um animal morto…

TERRA: Não, é que aqui bem perto há uma lixeira… Todas as cidades do mundo estão rodeadas por montanhas de lixo, onde se acumulam garrafas, toneladas de plástico, restos de comida…

FRANCISCO: Porque acontece isso, Mãe Terra?

TERRA: Por algo que não existia no teu tempo, Francisco, e a que o Papa Francisco, teu homónimo, chama «cultura do descartável»…

FRANCISCO: Não entendi…

TERRA: Diz-me, Francisco, o que fazia o teu pai quando se rompiam os sapatos?

FRANCISCO: Levava-os ao sapateiro.

JOÃO: Hoje, não é assim. São deitados fora. Mais ainda, basta mudar a moda e os sapatos antigos são postos de parte e compram-se novos. Agora, é tudo assim. Usa-se e deita-se fora. De tal modo que, nos últimos quarenta anos, acumulou-se mais lixo do que em toda a história da Humanidade.

FRANCISCO: Não posso acreditar…

MARIA: Roupa, papéis, móveis, pneus, televisores, carros, telefones, computadores… Um escândalo! Agora, muitos produtos são fabricados de modo a avariar rapidamente e não podem ser reparados… E, que horror, deita-se comida fora!

FRANCISCO: Comida? E não há pessoas que passam fome?

JOÃO: Sim, há imensa gente! Milhões de crianças deitam-se todas as noites sem pão para a boca. Ao mesmo tempo, quase um terço dos alimentos produzidos no mundo vai parar ao lixo. É um crime, Francisco!

FRANCISCO: Como é possível que façam isso? A comida desperdiçada é alimento roubado da mesa dos pobres!

MARIA: A causa disso é a cultura do descartável, em que as pessoas se pensam no direito de ter tudo, de comprar tudo, e de deitar fora o que não interessa… esquecendo aqueles que nada têm… Essas são as pessoas da cultura do descartável… que acabam, também, por se descartar de outras pessoas.

FRANCISCO: No meu tempo, as coisas eram compradas para toda a vida. Pensava-se, até, em deixar em herança aos filhos e netos. E nós herdávamos roupas, brinquedos…

TERRA: Pensem nisto, amiguinhos audazes: há sinais da cultura do descartável na vossa terra? Na vossa família? Entre os vossos amigos? Acham que são consumistas? Como se pontuariam, de 1 a 10?

 

Adaptado da série radial Laudato Si’ da Rede Eclesial Panamazónica (REPAM)

Podes ouvir os áudios em http://zip.net/bttm7m.

Por: Audácia

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