Francisco e a irmã chuva

Novembro 2016 / Casa Comum

Teatro ecológico

FRANCISCO: Paz e bem, irmãs e irmãos!

(Abro aqui um parêntesis. Quero dar os parabéns à irmã Audácia. Faz 50 anos. É uma felicidade! Apetece-me comparar a Audácia à chuva. Assim como a chuva se espalha sobre a terra e vai ajudar o desenvolvimento das sementes e das plantas, assim a revista, com os seus conteúdos inspiradores, ajuda as gerações mais jovens a tornar realidade o sonho de construir um mundo melhor. E fecho o parêntesis.)

Estou na Nicarágua, um país com muitos lagos e vulcões. Contudo… esta poeira… e este calor terrível… Que aridez!…

VACA: Olá, Francisco!

FRANCISCO: Olá, irmã Vaca. Ui… Pareces um saco de ossos…

VACA: Ando nas últimas. Amanhã, já não me encontrarias viva…

FRANCISCO: Disseram-me que a Nicarágua é uma terra abençoada…

VACA: Isso dizem os turistas: «Nicarágua tem as melhores praias insulares.» Mas esta zona não é bendita.

FRANCISCO: Onde estamos?

VACA: No corredor seco. São quilómetros e quilómetros. É uma aridez que se estende por toda a América Central: começa na Guatemala, atravessa Honduras e El Salvador, e termina no norte da Costa Rica.

JOÃO: E nunca chove?

VACA: Raramente. Há anos que não vemos água. Dizem que é por causa das mudanças climáticas.

MARIA: Já muita gente diz isso ao redor do mundo…

VACA: Há dois anos que não se fazem searas de milho. As sementeiras de feijão morrem de sede. Estes alimentos são a base da dieta dos nicaraguenses. Milhões de pessoas não têm nem as tradicionais tortilhas de milho para comer. E nós não temos erva. Este é o corredor de fome, da desnutrição…

FRANCISCO: E eu que vinha aqui à procura da irmã Chuva…

VACA: Se queres encontrar a Chuva, tens de ir às Caraíbas.

FRANCISCO: Irmã Vaca, o que posso fazer por ti?

VACA: Diz-lhe que nos venha visitar, que sentimos a sua falta.

FRANCISCO (nas Caraíbas): Bendita sejas, irmã Chuva, que refrescas e fazes frutificar as sementes!

CHUVA: Bendita, eu?!… Agora mesmo estão a maldizer-me. E têm razão: acabo de destruir as suas culturas e ficaram sem nada…

MARIA: Chuva, porque nos fazes essas maldades, se só esperamos que nos faças bem?

CHUVA: Nem eu percebo o que se passa comigo. A minha vida mudou muito nos últimos tempos. Já não sei por quanto tempo devo molhar a terra, se devo simplesmente passar como nuvem, para regular a temperatura, ou se devo congelar-me nos polos e nas serras…

FRANCISCO: Olha, eu acabo de vir do lado oposto deste país, do corredor seco, onde não vais há anos. Lá todos sentem a tua falta.

CHUVA: Sim, conheço essa terra. É árida, muito pobre. Eu gostaria de chegar a todos os lugares, e a tempo. Eu sempre fui muito pontual, Francisco.

JOÃO: Então, de quem é a culpa?

CHUVA: De um inimigo chamado Dióxido de Carbono. É ele que me desregula. Por causa dele e das mudanças climáticas que provoca, chego tarde a algumas partes da Terra e há secas. Ou então fico tão frágil, que não consigo controlar-me e, ou caio com muita intensidade ou sou arrastada pelo vento em furacão, provocando inundações.

CIENTISTA: Nove em cada dez desastres causados pelo aquecimento do clima são chuvas torrenciais, inundações, furacões, deslizamentos de terra e secas.

CHUVA: Mato se falto e mato se abundo. E, ainda por cima, muitas vezes as minhas gotas caem envenenadas com o enxofre que se mistura nas nuvens…

CIENTISTA: São as fábricas que fundem metal e as caldeiras de calefação que lançam enxofre para o ar.

JOÃO E MARIA: Que devemos fazer, irmãos Francisco e Chuva, para que as gerações vindouras não tenham como herança um planeta seco e com água envenenada?

FRANCISCO e CHUVA: Deixem de poluir. Mudem de estilo de vida!

 

Adaptado da série radiofónica Laudato Si’ da Rede Eclesial Panamazónica (REPAM)

Podes ouvir os áudios em http://zip.net/bttm7m

Por: Audácia

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