A comemoração do Dia da Árvore e da Floresta oferece-me a ocasião de lhes apresentar uma senhora muito respeitada no Reino Vegetal: a Ginkgo biloba, um autêntico fóssil vivo.

Porque é que esta árvore é tão especial? Antes de mais, é a única espécie que resta da divisão Ginkgophyta. Relíquia de épocas geológicas já muito, muito antigas, estima-se, através de fósseis das suas folhas, que exista há cerca de 251 milhões de anos, sendo ainda mais antiga que os dinossauros! Remonta ao tempo do Mesozoico, quando a flora predominante era constituída por plantas primitivas com semente nua e sem fruto, que se designam de gimnospérmicas.

É uma árvore majestosa

A palavra ginkgo tem origem chinesa e significa «damasco prateado». E porquê biloba? Se repararem com atenção, nas suas folhas em forma de leque, encontra-se um pequeno recorte, que as separa em dois lóbulos. Assim, bi significa «dois» e loba, «lóbulo».

É uma árvore de folha caduca, porque as perde na altura do inverno. É curioso observar, com o passar do outono, como a coloração das folhas da Ginkgo biloba muda de verde para um tom dourado. E é maravilhoso pisar os tapetes amarelos que se formam no chão, quando estas se soltam da árvore. É como se quisesse oferecer à terra todo o seu esplendor, pintando-a de outros tons.

Cresce devagarinho, mas pode chegar a medir 30 metros de altura. Forma um ramificado majestoso, onde as folhas se dispõem alternadamente. Os seus sexos são separados, sendo por isso designada por dioica.

Resistente, é símbolo da paz

Plantada em todo o mundo, quase não existem exemplares em estado selvagem, com exceção de alguns exemplares de Ginkgo biloba encontradas no leste da China. A sua presença é frequente em jardins e em templos chineses. Daí ser considerada sagrada e um símbolo do Confucionismo e do Budismo.

Resiste com facilidade à poluição e até a condições mais extremas: algumas árvores sobreviveram à radiação em Hiroxima, resultante da explosão da bomba atómica em 1945. Foram dos poucos seres vivos a escapar às consequências terríveis desta catástrofe e atualmente ainda permanecem! São, por isso, um símbolo de Paz e longevidade no Japão. Existem até relatos de ginkgos com mais de 2000 anos.

Conhecida pela utilidade farmacológica das suas folhas, podem ajudar no tratamento da senilidade humana e das fases iniciais da doença de Alzheimer. Também se crê que seja um bom intensificador de memória e de atenção.

Gostarias de abraçar a Ginkgo?

Se a quiseres visitar, poderás fazê-lo no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa (Rua da Escola Politécnica). E, no Porto, no Jardim das Virtudes (Calçada das Virtudes), está a maior Ginkgo biloba de Portugal.

E deixo-te, ainda, um desafio: porque não plantar uma ginkgo no dia 21 de março?

Por: Margarida Brotas

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