Festividade no grande vulcão

Julho-Agosto 2017 / Belezas do Mundo

 

O Monte Bromo é um vulcão ativo pertencente ao maciço de Tengger, localizado no Parque Nacional de Bromo Tengger Semeru, no leste de Java, Indonésia.

 

O seu nome, Gunung Bromo, em indonésio, deriva da pronúncia javanesa de Brahma, nome do deus criador na religião hindu. Ele é o mais jovem dos vários vulcões do maciço e um dos mais ativos de Java, sendo que, quando em erupção, emite uma fumarola branca e sulfurosa. Está a cerca de 2329 metros de altitude e, ainda que não seja o mais alto, é o vulcão mais conhecido e uma das atrações turísticas com mais visitantes da zona: tal se justifica pelas paisagens fantásticas que oferece, especialmente o nascer do sol.

Localiza-se no meio de uma vasta planície, denominada Mar de Areia, que constitui uma reserva natural protegida desde 1919. Este terreno estéril é também o lar de cerca de 90 000 pessoas, distribuídas por 30 aldeias, membros da comunidade tengger, uma minoria étnica hindu no arquipélago indonésio, predominantemente muçulmano. Os tenggers são agricultores ou pastores nómadas e têm um estilo de vida muito semelhante aos tibetanos.

 

Apaziguar a fúria e colher bênçãos

Todos os anos, independentemente de a montanha expelir fumo e fogo, centenas de pessoas de aldeias próximas viajam e sobem as escadas que conduzem até à cratera do Monte Bromo. Aqui celebram uma festividade designada por Yadnya Kasada, também conhecida popularmente como Kesodo, onde os crentes oferecem o seu sacrifício e orações, para que os deuses da montanha lhes tragam felicidade e saúde. Organizada pelo Pura Luhur Poten, um templo hindu localizado no Mar de Areia, ocorre em honra de Sang Hyang Widhi, deus todo-poderoso do Hinduísmo na Indonésia, e é a celebração mais importante para a comunidade tengger.

Com a duração de cerca de um mês, é ao 14.0 dia das comemorações que todos se juntam no templo para pedir a bênção dos deuses. De seguida, a multidão caminha ao longo dos limites da cratera do Monte Bromo e lança as suas oferendas, que procuram expressar a sua gratidão pela boa colheita: frutas, arroz, hortaliças, vegetais, dinheiro e até cabras, vacas e galinhas! Ainda que seja extremamente perigoso, há quem tente descer pela cratera abaixo ou recorrer ao uso de lenços e redes a fim de recuperar os bens sacrificados, pois crê-se que trazem boa sorte.

A origem da festa remonta à história de amor do século xv entre Roro Anteng e Jaka Seger. Segundo a lenda dos jovens enamorados, estes fugiram do reino de Majapahit e assentaram-se nas montanhas Tengger. Como não podiam ter filhos, pediram auxílio aos deuses da montanha, que lhes concederam 24 descendentes, com a condição de que o 25.0 teria de ser atirado para o vulcão como sacrifício humano. O pedido foi então observado e deu origem ao costume de lançar oferendas na cratera para apaziguar os deuses.

Yadnya Kasada é realmente uma tradição especial, sendo que toda a gente pode entrar nesta experiência única!

Por: Margarida Brotas

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