Feminismos

Dezembro 2014 / Tela Encantada

Uma das maravilhas deste mundo, senão mesmo a maior de todas elas, é a diversidade. Todavia, muitos são os que perdem energia e tempo criticando outros por serem diferentes. Isto apesar de facilmente se poder imaginar o tédio que seria um planeta sem tão variados animais e plantas, paisagens contrastantes, distintas cores. E o mesmo se aplica à diversidade dentro da nossa espécie: as cores da pele e de cabelo, as diferenças de género, o formato dos narizes, a pluralidade de culturas e a divergência de costumes. Tudo isto – julgo eu – torna a Terra mais bela.

Se concordares que é evidente, quase uma banalidade, o que acabo de escrever, então partilharás do espanto que de mim toma posse quando ouço ou vejo alguém considerar esta diversidade um problema, uma razão para reprovar, satirizar, perseguir e subjugar aqueles que, em dada circunstância temporal ou espacial, são uma minoria ou menos fortes fisicamente.

 

Esta discriminação tem de acabar

Uma das mais intensas e duradouras discriminações que temos visto entre nós é a que os homens dirigem às mulheres.

Presentemente, em alguns países, substanciais melhorias são observáveis a este respeito. Apesar disso, note-se que, entre nós, por exemplo, frequentemente se reconhecem diferenças salariais entre homens e mulheres, com prejuízo para estas. Parece então que o trabalho de promoção da igualdade ainda não está completo, mesmo nos países em que pertencer ao género feminino não constitui, logo à partida, uma enorme desvantagem social.

Mas há partes do mundo, como sabemos, em que as mulheres estão subordinadas aos interesses e devaneios dos homens. Por esse planeta, há meninas que, pela singela razão de não terem nascido meninos, nunca terão acesso à melhor educação possível, nunca poderão escolher um companheiro que amem, terão de casar quando ainda forem umas meras crianças, viverão para terem filhos e servirem o seu marido. Com sorte, não serão vítimas de maus tratos físicos. Seja como for, os sonhos, se os tiverem, serão apenas exercícios da imaginação.

 

Uma voz jovem em protesto

Emma Watson ficou conhecida por representar, no cinema, a principal personagem feminina dos livros de Harry Potter. Falo, naturalmente, de Hermione Granger. Mas não é por ter personificado a famosa feiticeira que a trago aqui. Emma Watson dá a cara pelo projeto He for She, ou seja, «Ele por Ela», o qual pretende combater a desigualdade de género. Com este pretexto, a jovem atriz teve a possibilidade de discursar na ONU. As suas palavras são interessantes e merecem ser escutadas. Salientaria três ideias-chave.

Para Emma Watson, ser feminista é crer e defender que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos e oportunidades. Não é, certamente, crer e defender que as mulheres são superiores aos homens ou que devem ser fisicamente iguais aos homens e comportarem-se como eles. E, segundo ponto, se esta é a definição de «feminista», então, para Watson, os homens também se podem e devem considerar feministas. Finalmente, conclui-se, a igualdade de géneros não é uma luta de mulheres contra homens, mas uma luta de todos os que se indignem com a discriminação. De todos aqueles, acrescentaria, para quem a igualdade de direitos e de oportunidades é uma daquelas igualdades que nenhuma diferença pode desfazer.

 

Assiste ao discurso de Emma Watson na ONU

Por: João Martins

Deixe uma resposta