Expo Milão 2015: Alimentar o planeta, energia para a vida

Junho 2015 / Destaque

Começou a 1 de maio e decorre até 31 de outubro. O presente e o futuro da alimentação são apresentados pelos pavilhões dos 144 países dos cinco continentes ali presentes. Portugal não se faz representar.

O tema da Expo Milão 2015 é «Nutrir o Planeta, Energia para a Vida». Tradição, criatividade e inovação são as palavras-chave que servem de inspiração a esta exposição mundial. O objetivo é traçar cenários futuristas da nutrição, quando se sabe que a população mundial atingirá os nove mil milhões de habitantes até 2050 e, neste momento, já estamos a explorar a Terra mais do que ela pode dar.

A mascote chama-se Foody

«Bem-vindos» é a primeira palavra que Foody, a simpática mascote da Expo 2015, dirige aos visitantes. O seu aspeto é imaginativo. Junta frutas, legumes e cereais. Pensamos, de imediato, em quem a imaginou e compôs. Mas a intenção é mais profunda: é fazer pensar naqueles que produzem os alimentos que formam o rosto de Foody, e, claro, naquela que, sem ela, nada no mundo seria possível: a Terra, com o seu solo, a sua água, a sua energia, os seus ventos, a sua biodiversidade.

Não se trata de uma feira

A Expo 2015 dura seis meses. Não é uma feira. É um evento global com uma intenção pedagógica. Estas exposições universais foram criadas há 164 anos. A primeira foi em Londres, em 1851. Passados estes anos, os objetivos continuam a ser os mesmos: espalhar conhecimento; melhorar a qualidade de vida das pessoas e facilitar a cooperação entre pessoas, empresas, organizações, governos e nações.

Em Milão, além dos pavilhões com que cada país expõe a sua visão do presente e do futuro da alimentação, há cinco pavilhões temáticos, dedicados à discussão de temas de nutrição e sustentabilidade: a história e o futuro dos alimentos; a ligação entre a nutrição e a infância; a possibilidade de uma alimentação sustentável; a relação entre comida e arte; e o modo de produção dos alimentos.

Na procura de ideias e de compromissos concretos, constituíram-se nove grupos temáticos, em que os visitantes poderão intervir livremente, ligados aos principais elementos da nutrição: arroz, cacau e chocolate, café, fruta e legumes, especiarias, cereais e tubérculos, dieta mediterrânica, ilhas e mares, e zonas áridas. Procurar-se-á responder a dois grandes desafios: como produzir comida saudável em quantidade suficiente para toda a população? Como garantir a sustentabilidade da Natureza?

As propostas de cada país vão no sentido de olhar para a Terra como um ser, como a Mãe Terra, cuja existência dura muitíssimo mais do que dura a vida de cada pessoa. E isso implica ter consciência de que somos herdeiros do passado, administradores dos bens presentes e temos o dever de deixar o planeta saudável para as gerações vindouras. O outro enfoque também fundamental é respeitar e garantir o direito, tão humano quanto animal e vegetal, de ter acesso a comida saudável, segura e na quantidade necessária.

História, criatividade e inovação

O recinto da Expo 2015 tem jardins e espaços que retratam os cinco continentes. Os pavilhões dos países expõem as tradições, os estilos de vida e as tendências de cada povo nas áreas da produção de alimentos, da nutrição e do uso do meio ambiente.

As tradições na agricultura, na pecuária, na pesca, na piscicultura e no processamento industrial dos alimentos desenvolveram-se ao longo de milhares de anos. Atualmente, convivem técnicas familiares e rudimentares com outras mecânicas, tecnológicas e realizadas por empresas gigantescas. De todas estas experiências pode-se aprender a retirar benefícios da ciência e das inovações tecnológicas. E a Expo de Milão quer exaltar o que contribui para a saúde do planeta: a agricultura biológica, o comércio justo, as hortas comunitárias, as hortas escolares, as quintas pedagógicas, a sabedoria da medicina tradicional, a mestria dos chefes culinários…

Algumas curiosidades

A imprensa italiana elegeu os cinco melhores pavilhões da Expo Milão: Brasil, China, Itália, Japão e Azerbaijão. Por sua vez, o da Áustria será tão interativo que será um pavilhão em constante mudança. É um edifício com elementos comestíveis e onde os visitantes podem cultivar sementes nas estruturas de madeira.

O Vaticano marca presença com um pavilhão dedicado ao tema «Nem só de pão». Num espaço sóbrio, o propósito é oferecer uma mensagem. Os visitantes encontram uma mesa interativa de onze metros que retrata o mundo de hoje e os desafios ligados à alimentação: a dieta e a fome, o desperdício e a desnutrição de milhões de pessoas. E, ao mesmo tempo, deixa um apelo e um convite a redescobrir as dimensões da solidariedade e da fraternidade para aprender, em conjunto, a proteger o planeta e dar um futuro de esperança à humanidade.

Por: Jorge Ferreira

Deixe uma resposta