Empresário aos 13 anos

Julho-Agosto 2016 / Ciência

 

Vanis tem, e gere – cada vez menos com a ajuda dos pais –, um pequeno negócio de reciclagem. «É muito fácil não fazer nada», diz o pequeno empresário. «Mas é muito bom fazer alguma coisa!»

 

Vanis Buckholz é um rapaz de 13 anos, vive na cidade costeira de Corona del Mar, na Califórnia, e é um adolescente como tantos outros. Joga basquetebol na equipa local, gosta de andar de skate, de guiar karts e de à tardinha ir surfar as ondas, adora apanhar sol e de estar com os amigos, a conversar e a ouvir música. O que tem então de especial, para estarmos a falar dele?

É simples: Vanis tem, e gere – cada vez menos com a ajuda dos pais –, um pequeno negócio de reciclagem que no início, há seis anos, quando tudo começou, era só isso: a reciclagem. O objetivo da  criança de sete anos que Vanis era na altura foi o de fazer por um ambiente mais limpo e saudável na sua pequena cidade. Mas teve tanto êxito e atraiu tantas simpatias, que houve empresas e instituições a quererem ajudá-lo, que o seu pequeno negócio floresceu. Então Vanis pensou que queria fazer algo mais e quando ouviu a mãe falar de associações de solidariedade social que apoiam crianças de famílias pobres, decidiu que também queria participar.

«Sempre me senti mal pelos miúdos que não têm um quarto como eu, ou uma casa, e que têm de dormir num carro, ou no chão da rua, e que provavelmente passam fome», explicou Vanis numa entrevista que deu há uns meses e que está publicada no sítio da organização Project Hope Alliance, que apoia crianças desfavorecidas, e para a qual ele hoje dá uma parte dos ganhos da sua pequena empresa de reciclagem. «Eu como sempre qualquer coisa antes de ir para a cama, à noite, e o meu quarto é muito confortável», diz Vanis.

 

«Qualquer coisa ajuda»

Vanis fez uma pesquisa na Internet para encontrar projetos que coincidissem com os seus anseios de contribuir para melhorar o mundo. Quando soube do trabalho da Hope Alliance para dar teto, alimentação e oportunidades de formação escolar a crianças sem-abrigo ou de meios desfavorecidos, não teve dúvidas. «Encontrei o Hope Alliance na Internet e, por coincidência, no dia seguinte vi o seu trabalho num programa de televisão. Foi então que dei conta de que esse era o projeto certo para ajudar com o meu negócio», contou o jovem empresário da Califórnia.

A sua pequena empresa, a que ele chamou My ReCycler, arrancou há seis anos, quando ele tinha sete, com as garrafas, latas e embalagens sem préstimo lá de casa, mas a coisa cresceu rapidamente. Em pouco tempo, Vanis começou a recolher e a transportar para o centro de reciclagem local o lixo dos vizinhos e passava tardes na praia a recolher os restos de plásticos e de papel, as latas e as garrafas que outros por lá iam deixando.

À bicicleta que usava para transportar todos aqueles resíduos, passou a juntar um pequeno atrelado e os seus “clientes”, como ele lhes chama, começaram a surgir um pouco por todo o lado.

Hoje, passados seis anos, Vanis já mandou para a reciclagem quase 45 toneladas de resíduos e doou mais de cinco mil dólares para o projeto Hope Alliance. «É muito fácil não fazer nada», diz ele. «Mas é muito bom fazer alguma coisa! E qualquer coisa ajuda». E ele não para, já lá vão seis anos.

Por: Maria Filomena Silva

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