Educadora da paz

Maio 2016 / Invencíveis

A professora Hanan Al Hroub dá aulas na escola de ensino médio Samiha Khalil, na Palestina. Os seus alunos têm entre 6 e 10 anos. Ela dedica a sua vida a protegê-los do círculo vicioso da violência vivida na região e a superarem episódios traumáticos que sofreram ou a que assistiram. O conflito que opõe israelitas e palestinos pela posse do território perdura há milhares de anos. É uma luta entre árabes e judeus cujas raízes são já narradas nos capítulos 16 e 21 do livro do Génesis, na Bíblia. Os judeus, que puderam voltar a ter um Estado (o Estado de Israel) depois da Segunda Guerra Mundial, querem reconquistar território até restabelecer as fronteiras fixadas pelo rei David (do ano 1000 antes de Cristo). E esse território é habitado por árabes palestinos. Quando Israel ataca, os palestinos retaliam, e vice-versa.

A professora Hanan cresceu num campo de refugiados em Belém, no território palestino que Israel isolou com um muro, para evitar ataques. A sua vida foi marcada pela violência e os seus filhos ficaram traumatizados por assistirem a tiroteios a caminho das aulas. Depois de participar em reuniões para discutir o comportamento e o desempenho escolar dos filhos, decidiu ser professora. Já no ensino, concluiu que era necessário um acompanhamento emocional. E esse trabalho que começou com os filhos estendeu-o a outras crianças que vivem em circunstâncias parecidas.

Numa entrevista à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), afirmou: «As crianças de outras partes do mundo podem aproveitar a infância, mas as palestinas, não. As nossas brincadeiras eram afetadas pelo contexto da violência.» Então, ela cria jogos e encoraja os seus alunos a participar juntos. O processo foi descrito em pormenor no seu livro We play to learn («Nós brincamos para aprender»). A ideia é dar atenção especial às necessidades emocionais de cada aluno e promover atitudes positivas, como a confiança, o respeito, a honestidade, as relações afetivas sem distinções.

Na mesma entrevista, explicou: «Ao participar nessas brincadeiras com os meus alunos, tento reduzir os efeitos da violência sobre eles, particularmente entre os que demonstram atitudes agressivas. Desde o começo, tento que os alunos entendam que dentro da sala de aula somos uma família, que pertencemos uns aos outros.»

Por este trabalho, a Fundação Varkey, organização com sede em Londres, no Reino Unido, atribuiu-lhe o Global Teacher Prize, também designado Nobel da Educação.

 

A arma da paz

A estratégia pedagógica da professora Hanan Al Hroub tem feito diminuir os comportamentos violentos na escola. E os seus colegas sentem-se inspirados a adotar práticas pedagógicas semelhantes na sala de aula. «Quer sejam palestinos ou não, digo sempre aos professores: a nossa profissão é humana e os seus objetivos são do mais nobre que há. Temos de ensinar às nossas crianças que só existe uma arma: o conhecimento que produz educação», disse Hanan à UNRWA.

Por: Fernando Félix

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