É bola? Não, é ébola

Dezembro 2014 / Campeões

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Ídolos do desporto organizaram campanhas de recolha de fundos para a luta contra o ébola.

 

O futebol não tem escapado aos efeitos do surto de ébola que preocupa toda a Humanidade, apesar de a incidência quase exclusiva de casos ser em África. A gravidade desta epidemia é tal que Marrocos anunciou indisponibilidade para organizar a Taça das Nações Africanas (CAN 2015), a mais importante prova de seleções, prevista para o período entre 17 de janeiro e 8 de fevereiro. O Governo marroquino disse preferir sofrer as consequências de desistir da organização (seleção banida das competições africanas durante anos) a ter de receber jogadores e milhares de adeptos oriundos de países afetados. Indisponível mostrou-se também a África do Sul, que acolherá a prova em 2016.

 

A Confederação Africana de Futebol, alegando que nunca houve alteração de datas em 57 anos de história da competição, procurou no Egito, no Gana ou no Sudão a solução para a CAN 2015.

Mas a crise do ébola transbordou África e, no futebol, chegou a Portugal. Houve clubes que tomaram medidas preventivas, devido à nacionalidade de alguns futebolistas. O F. C. Porto e a Académica tiveram de cumprir os protocolos de saúde quando os camaroneses Aboubakar e Sally se deslocaram a Yaoundé, para o Serra Leoa-Camarões, transferido para a capital camaronesa a pedido do segundo país mais afetado.

Outro jogo da fase de qualificação da CAN 2015, o Guiné-Conacri-Marrocos, foi igualmente deslocado para casa dos visitantes. O Nacional da Madeira sentiu alívio por o guineense Boubacar não atuar no país com mais casos registados de ébola. Menos motivos para tranquilidade teve o Paços de Ferreira, que viu o costa-marfinense Seri jogar em Kinshasa, frente à RD Congo.

Libéria, Serra Leoa, Guiné-Conacri, RD Congo, Nigéria e Mali, tudo países da África Ocidental, são o mais afetados.

 

Conhecido desde 1976 e responsável por mais de uma dezena de surtos desde então, que provocaram, cada um, centenas de mortos, só com a crise iniciada em março deste ano o vírus ébola foi encarado como ameaça global.

No início de novembro estavam contabilizados mais de dez mil casos de infeção, metade fatais. Quase um em cada dez dos infetados e dos mortos eram profissionais de saúde.

Números assustadores que, além de medidas anunciadas pela ONU e por outras organizações e países, levaram ídolos do desporto a fazer campanhas de recolha de fundos para ajudar na luta contra o ébola.

Correspondendo à iniciativa do antigo velocista da Serra Leoa Francis Dove Edwin, atletas e ex-atletas, como o jamaicano Usain Bolt, o norte-americano Carl Lewis, o ucraniano Sergei Bubka ou a sueca Pernilla Wiberg associaram-se de imediato. Bolt doou um par de sapatilhas com a sua assinatura para ser leiloado.

A Associação de Desportistas Olímpicos (WOA) pediu aos cem mil membros da comunidade olímpica que contribuíssem e divulgassem a iniciativa.

Por: Luís Óscar

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