Dia dos avós

Julho-Agosto 2015 / Mala da Alice

Desenhem os vossos avós e mandem para audacia@netcabo.pt – os desenhos serão publicados na página de Facebook da Audácia

 

Se desde tempos imemoriais se festeja o Dia do Pai e o Dia da Mãe, por que razão não se deveriam festejar os avós — que é coisa que, infelizmente, nem todos os pais são e, por isso, não se pode incluir tudo no mesmo saco, ou seja, nos mesmos festejos.

Atualmente já se vai festejando em quase toda a parte, embora a nível mundial se inclua tudo no Dia Internacional do Idoso, estabelecido pela ONU em 1991, e festejado no dia 1 de outubro — o que não é exatamente a mesma coisa…

E assim vamos tendo um Dia dos Avós um pouco ao gosto do freguês…

A Itália associou os avós ao Anjo da Guarda (bonito…) e celebra-os nesse dia, ou seja, a 2 de outubro.

A Polónia tem mãos largas, e vai daí festeja as avós no dia 26 de julho, e os avôs no dia a seguir, que é para todos ficarem contentes.

A Inglaterra não tem propriamente um Dia dos Avós, e inclui-os no tal Dia do Idoso decretado pela ONU.

Nos Estados Unidos é um bocado complicado: o Dia dos Avós é festejado no primeiro domingo depois do Labor Day, ou seja, no primeiro domingo depois da primeira segunda-feira de setembro…

No Paraguai é a 5 de maio; no México, a 28 de agosto; na Austrália, no primeiro domingo de novembro… e por aí fora.

Em Portugal, Espanha e Brasil, foi escolhido o dia 26 de julho. Data que tem toda a razão de ser, uma vez que nesse dia se evocam São Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora, avós de Jesus Cristo.

Mas o que é facto é que por cá a comemoração levou tempo a assentar…

Se não fossem os esforços da D. Aninhas, de Penafiel, se calhar ainda hoje os nossos avós não teriam direito a um dia só para eles.

A D. Aninhas chamava-se Ana Elisa do Couto Faria e nasceu em janeiro de 1926, em Penafiel.

Avó de quatro netas e dois netos, foi incansável na sua luta para fazer promulgar em Portugal um Dia dos Avós. Durante dezasseis anos percorreu uma série de países, tanto na Europa como na América, tentando chamar a atenção para a sua causa. Os avós, para ela, não representariam apenas um suporte para a criação e educação dos netos, mas teriam sobretudo um peso importante na preservação e divulgação das tradições e dos costumes, e seriam ainda uma fortíssima ajuda para quebrar o isolamento e a solidão de tantos idosos.

Socorreu-se de tudo e de todos. Da Igreja Católica, dos deputados, da comunicação social, de figuras públicas, de atletas e artistas.

Falava com todos, distribuía cartazes por toda a parte. Apareceu várias vezes em jornais — sempre na defesa do seu sonho.

E finalmente conseguiu que a Assembleia da República a ouvisse, e — no dia 4 de junho de 2003 — fizesse promulgar o dia 26 de julho como o Dia Nacional dos Avós.

A D. Aninhas morreu em novembro de 2007 — o que significa que ainda pôde festejar a data por quatro vezes, e receber os sorrisos e a gratidão dos mais velhos.

Claro que os avós dos nossos dias são diferentes dos avós de há anos. Felizmente que já estamos longe do tempo em que as avós não tinham vida própria, porque toda a sua vida se fazia e se pensava em função dos netos — como anteriormente já se fazia e se pensava em função dos filhos.

Hoje as avós são cada vez mais novas. Hoje as avós, tal como as mães, trabalham fora de casa. E é preciso respeitar o seu tempo.

Mas o que é curioso é que — mesmo novas, razoavelmente elegantes, por vezes até de cabelo às madeixas… — todas nós, avós, ficamos para sempre presas ao estereótipo que os nossos netos têm de nós. Peçam-lhes o desenho de uma avó — e aí vamos nós, de carrapito, óculos, avental, chinelos, bengala e uma leve corcunda a despontar nas nossas costas.

Nada a fazer.

Será sempre, sempre assim que eles nos irão desenhar.

Somos, em pessoa, o equivalente às casas que eles desenham no alto de um monte, uma porta e duas janelas, telhado em V ao contrário, e nuvens de fumo a sair pela chaminé — mesmo que tenham sempre vivido em condomínios ou prédios de muitos andares, em ruas atafulhadas de trânsito, e nunca tenham visto fumo a sair por uma chaminé em toda a sua vida.

Mas, mesmo carregando com todos os estereótipos, as avós (e os avôs, claro…) são fundamentais na vida de uma criança, não para substituírem os pais, mas para os fazer participar em histórias, recordações, descobertas de um tempo que é só deles.

Por isso já dizia o grande pedagogo que foi o Prof. João dos Santos «uma criança não pode viver sem uma avó e sem uma aldeia. Se as não tiver, é preciso inventá-las».

E bom dia 26 de julho para todos!

Por: Alice Vieira

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