Comemora-se no dia 22 de fevereiro o Dia do Pensamento.
Um dia de reflexão – mas bastante mais do que isso. O dia em que devemos procurar pensar em todos os que estão em dificuldades e tentar ajudá-los.
O dia foi fundado em 1926, nos Estados Unidos, com o nome de Thinking Day. Nessa altura – e durante muitos anos – estava exclusivamente associado às guias e escuteiros: esse era o dia em que Baden-Powell, o seu fundador, tinha nascido, e as comemorações passavam por correntes de pensamento, pela reflexão sobre vários temas e sobretudo pela angariação de fundos para causas mais necessitadas. O lema instituído logo nesses primeiros tempos foi uma frase muito conhecida: «A penny for your thoughts», ou seja «Um tostão pelos teus pensamentos».
É claro que normalmente a frase não era usada para isso – é, ainda hoje, a pergunta que se faz muito quando alguém parece estar noutro mundo, absorto em pensamentos. Mas dava perfeitamente para o caso.
Como o próprio Baden-Powell dizia, «este é um dia em que fazemos em pensamento a volta ao mundo, um dia em que se dá e se partilha».
Nos primeiros anos, a angariação de fundos foi sempre destinada aos países devastados pela Guerra Mundial. E começou a ser conhecido também como o dia do «Tostão Mundial».
Mas em breve a celebração do dia ultrapassou as atividades das guias e escuteiros – embora estes ainda sejam o seu braço forte. Em 2017, em Portugal, organizaram-se muitos encontros para celebrar a data, todos sob o lema comum «Crescer».
Celebra-se o Dia do Pensamento em países tão diferentes como a República da Irlanda, a Jordânia, o Paquistão, o Maláui e a Venezuela.
Por cá, ainda não é uma data instituída, uma data com raízes (a não ser nas organizações de escuteiros.)
E é pena.
Era uma ótima altura para as escolas, por exemplo, levarem os seus alunos a interessarem-se pelos problemas dos outros, a pensarem na maneira de os ajudar, a promoverem o encontro entre os mais novos e os mais velhos, etc.
Trabalhei há alguns anos na província do Chaco, a mais pobre da Argentina (a capital –cidade da Resistência – tinha uma única rua alcatroada…). E era extraordinário ver como funcionava bem uma pequena organização que juntava avós e netos, uns a transmitirem aos outros o que sabiam: os mais velhos – as tradições, a história do país, as velhas profissões, os costumes , etc.; os mais novos a tentar fazê-los entrar no mundo das novas tecnologias, histórias recentes, etc.
E no final de cada ano havia um prémio para a melhor avó ou avô, e para o melhor neto ou neta.… Era mesmo comovente.
E, às vezes – acreditem! –, basta um sorriso, uma pequena conversa, um telefonema a saber se estão bem… (Na Junta de Freguesia de Alvalade, em Lisboa, por exemplo, há quem tenha por missão ligar todas as manhãs para os idosos que vivem sozinhos e dizer: «Olá, bom dia! Estão bem?»
Isso, que parece tão pouco, pode ser tanto…
Por isso era bom que aproveitassem este dia 22, a última quinta-feira do mês, para instituírem na vossa escola, ou em vossa casa, o Dia do Pensamento. Ou, pelo menos, para pensarem um pouco nestas coisas todas.
Já era um bom começo, acreditem.




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