Deus viu a Europa em guerra

Janeiro 2017 / Caminhantes de Fátima

 

Quando o ano de 1900 inaugurou o século xx, as nações da Europa enfrentavam muitos problemas. O século anterior tinha deixado feridas custosas de sarar. Alguns países estavam descontentes. Na Conferência de Berlim, na Alemanha, as grandes potências dividiram entre si os territórios de África e Ásia. Enquanto, por exemplo, Inglaterra e França aumentaram as suas colónias ricas em matérias-primas, Alemanha e Itália perderam neste processo neocolonial. Esta insatisfação foi uma das causas da I Grande Mundial, que começou em 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918.

Outra causa foi a corrida ao armamento. As fronteiras da Europa alteraram-se ao longo do século xix. Logo no início, Napoleão envolveu a França em guerras imperiais; depois várias lutas conduziram à criação da Itália como a conhecemos hoje. Os quatro grandes impérios do continente – Alemão, Russo, Austro-Húngaro e Otomano – cresciam sob o mando de ditadores e com ideias de unir o máximo de territórios numa só nação. Neste continente em tensão, cada país procurava armar-se mais do que os outros. E formaram-se alianças.

Portugal entra na I Guerra Mundial por dois motivos: em 1914, em África, para defender as colónias, e em 1916, quando a Inglaterra, seu aliado, lhe pede para aprisionar os navios alemães e austro-húngaros que estavam ancorados na costa portuguesa. Foram mobilizados quase 200 mil portugueses. Morreram perto de dez mil. E muitos outros milhares ficaram feridos.

Nesta Europa em guerra, Portugal vivia agitado. A população empobrecia. Depois da queda da monarquia, sucederam-se atentados e assassínios, criando uma atmosfera de guerra civil. O novo poder político perseguiu a Igreja: as igrejas eram pilhadas, os conventos, mosteiros e ordens religiosas foram suprimidos e os religiosos foram expulsos.

Para a maioria dos portugueses, católicos de fé, a salvação estava na misericórdia do Céu. E solicitavam a intercessão da Virgem Imaculada, padroeira de Portugal, por meio da oração do rosário.

Então, entre abril e outubro de 1916, um anjo, chamado Anjo da Guarda de Portugal, apareceu na Cova da Iria, em Fátima, por três vezes, a três crianças, a Lúcia dos Santos, de 10 anos, e aos seus primos, Francisco e Jacinta Marto, de 8 e 7 anos. Veio dizer que Deus ouvia os gritos dos fiéis portugueses e que pedia oração e conversão para os livrar do mal. Ele ensinou aos pastorinhos esta oração: «Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.» O anjo preparou as crianças para a aparição de Nossa Senhora.

Por: Fernando Félix

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