Desporto com fé e fé no desporto

Janeiro 2017 / Campeões

 

O desporto comunga dos valores do Evangelho e leva-os para a vida de cada um.

 

Com o alto patrocínio do Papa Francisco, o Vaticano acolheu em outubro de 2016 o primeiro encontro mundial sobre desporto e fé. Sob o lema «Desporto ao serviço da Humanidade», cerca de centena e meia de líderes das mais diversas nacionalidades e das principais crenças religiosas debateram de que forma é que a fé e o desporto podem trabalhar em conjunto para melhorar a vida das pessoas. O encontro aconteceu um mês depois dos Jogos Paraolímpicos e dois meses após os Jogos Olímpicos. Organizado pelo Conselho Pontifício para a Cultura, com o apoio do Comité Olímpico Internacional (COI) e da Organização das Nações Unidas (ONU), foi o reconhecimento da importância do desporto nas nossas vidas.

 

Apesar da crescente presença do desporto no dia a dia de todas as sociedades, ainda persiste uma tendência errada para considerar este fenómeno como algo marginal. O Papa Francisco, ele próprio um admirador do desporto e dos desportistas, como já aqui foi referido mais do que uma vez [ver Audácia n.o 30, de julho/agosto de 2013], tem sido o grande impulsionador desta nova abordagem da Igreja, prenunciada com o pensamento pioneiro de João Paulo II (guarda-redes do KS Cracóvia na juventude), que descreveu o desporto como uma escola de virtudes.

O desporto cativa os jovens em todo o mundo e transmite valores fundamentais como a superação, a disciplina, o respeito pela diversidade e pelos adversários, estimula a solidariedade e o espírito de equipa, tudo isto sem anular a cultura de cada um, facilitando a inclusão e a integração. Pode até dizer-se que, quando não se deixa contaminar por contravalores como a batota ou o dinheiro, o desporto comunga dos valores da fé e do Evangelho e é uma ferramenta fantástica para levar esses mesmos valores para a vida de cada um.

 

Como grandes temas da conferência inaugurada pelo Papa Francisco, na presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e do presidente do COI, Thomas Bach, foram escolhidos três ‘in’: inclusion, involvement, inspiration [inclusão, envolvimento, inspiração]. Com participação do arcebispo Justin Welby, primaz da comunhão anglicana, e de outros 14 líderes religiosos, incluindo representantes dos patriarcas ortodoxos de Constantinopla e Moscovo, o encontro mundial serviu para, segundo os organizadores, “lançar a toda a humanidade um movimento global, inspirado em seis princípios transversais: compaixão, respeito, amor, iluminação, equilíbrio e alegria”.

Revelando fé no desporto, Francisco aproveitou a ocasião para dizer que é preciso “trabalhar em conjunto” para que as crianças marginalizadas, que jogam com “bolas de trapos”, possam aceder à prática desportiva “em condições dignas” e sublinhou que o desporto não está limitado à alta competição, podendo (e devendo) ser praticado para melhorar a saúde e o bem-estar.

Por: Luís Óscar

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