Curar a água adoecida

Março 2017 / Ciência

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Deepika Kurup tem 17 anos, mas cedo reparou no flagelo das desigualdades, que impedem tantas pessoas de terem uma vida digna, com acesso a coisas essenciais, como a água potável.

 

Indiana de origem, nascida nos Estados Unidos, Deepika Kurup soube aproveitar as oportunidades que isso lhe trouxe, incluindo a de estudar numa boa escola (frequenta hoje Harvard, uma das melhores universidades americanas). Mas, dotada de uma natureza sensível, e de uma vontade de contrariar o que não está bem, tinha de questionar-se sobre as injustiças gritantes que estão por todo o lado. No seu caso, foi na Índia, numas férias de verão que passou em casa da avó, quando tinha apenas 13 anos, que tudo aconteceu. «Todos os verões vou à Índia com os meus pais, porque os meus avós e os meus primos vivem lá, e sempre gostei imenso. É um sítio lindo, com praias e palmeiras, paisagens lindas e tantas atrações», contou ela à revista National Geographic.

 

Identificar o problema

Apesar de toda a incrível beleza do país dos seus pais e avós, a Deepika não escaparam, no entanto, os problemas básicos que afligem grande parte da população local, como o do acesso a água potável. «Comecei a dar-me conta desses problemas quando cresci», recorda ela. «Os meus pais recomendavam-me sempre que bebesse apenas água engarrafada», diz a jovem indo-americana, notando que, ao mesmo tempo, via as pessoas que, ali mesmo à beira da casa da avó, junto à estrada, bebiam água completamente imprópria para consumo. «Bebiam a mesma água que utilizavam para se lavarem, ou para lavarem a roupa», explica. «Afetava-me particularmente ver miúdos da minha idade a beber essa água que corria pelo chão, junto à estrada, e foi isso que realmente fez com que eu quisesse mudar aquele estado de coisas.» Palavras dela.

Daí a compreender que a falta de acesso a água potável era um o problema global, que afetava milhões de pessoas, e não apenas as que viviam na mesma rua da avó, na Índia, foi um passo. E o que fez a seguir foi tentar encontrar uma solução para o problema.

 

Trabalhar na solução do problema

De regresso ao seu país e à escola, Deepika desatou a ler artigos científicos sobre métodos de purificação da água, percebeu que podia desenvolver com alguma facilidade um dispositivo rudimentar que utilizasse a energia do sol e deitou mãos à obra. No quintal da sua casa, montou um tanque, encheu-o de água e testou vários tipos de reações químicas induzidas pela radiação solar e por alguns produtos como os óxidos de zinco e outros. Depois, apurado o sistema, concorreu a uma feira de ciência, e ganhou o primeiro prémio e 25 mil dólares para poder desenvolver o seu processo. Tinha apenas 14 anos nessa época e para ela foi tudo uma grande aventura.

Hoje, com 17 anos e a estudar na Universidade de Harvard, Deepika Kurup não esquece o seu objetivo inicial: o de tentar generalizar o acesso à água potável nos países mais desfavorecidos. E com o processo de purificação da água já aperfeiçoado, vai agora criar um protótipo fácil de levar para o terreno. Cá ficamos à espera de mais notícias.

 

ÁGUA POTÁVEL

É um recurso finito

Só 3 % das águas são doces

 

Ciclo das águas

A Natureza garante a renovação da salubridade e dos níveis deste recurso. As atividades humanas estão a perturbar o ciclo, com a poluição.

 

Consumo humano

Mil milhões de pessoas não têm acesso à água potável

Metade da população dos países pobres consome água poluída

No mundo, dois milhões de pessoas morrem por consumir água contaminada

 

6.º Objetivo Sustentável

Até 2030, alcançar o acesso a água potável e segura para todos

 

Por: Maria Filomena Silva

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