Corrigir os que erram

Dezembro 2016 / Valores de sempre

 

Corrigir os que erram não é uma tarefa fácil. Na sociedade, por um lado, ninguém gosta de ser chamado à atenção. Por outro, há uma tendência para não corrigir e deixar andar. No entanto, corrigir os que erram é necessário: ajuda a formar o cérebro e estrutura a personalidade. Porém, lembremo-nos que a correção para ser fraterna e misericordiosa, deve sempre ser feita na hora certa, com as palavras corretas, com sentimentos de caridade e amor, de modo que a pessoa corrigida perceba o bem que lhe queremos.

 

Correção na caridade

Corrigir, segundo o verbo grego nouthetein, significa «colocar a mente sobre outro, para o ajudar a descobrir os seus erros e a evitá-lo». Trata-se, portanto, de um olhar e atenção amorosa, de uma vigilância fraterna sobre o outro, a fim de consertar os seus eventuais erros. Por outro lado, a palavra «corrigir», na sua origem latina, corrigere significa e implica «dirigir juntos» e mostra a dimensão partilhada e relacional da correção, em que um ajuda o outro a orientar a sua vida, na humanidade e santidade.

Não existe correção para o mal: o fim último da correção deve ser sempre o bem e o modo para lá chegar terá de ser por meio da caridade. A correção deve ser uma realidade vivida no amor e na misericórdia que brota de uma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Como nos diz o Papa Francisco, «não se pode corrigir uma pessoa sem amor e sem caridade. Não se pode fazer uma cirurgia sem anestesia. A caridade é como uma anestesia, que ajuda a receber o tratamento e aceitar a correção».

 

Correção com humildade

No ato de corrigir e de ser corrigido, a humildade é uma atitude fundamental, não só de quem se aproxima para incentivar à correção, mas também de quem é corrigido. A correção humilde é fruto da atenção e do cuidado, visando denunciar o erro e salvaguardar a vida e a dignidade daquele que o praticou. Quando corrijo, não me devo considerar superior ou perfeito, mas, com humildade e humanidade, devo expressar a caridade (amor e não pena) ao próximo. E o mesmo me é pedido se sou corrigido. A correção que é fraterna de verdade implica sair do individualismo da minha perfeição individual, para me tornar (co)responsável pela santidade do meu irmão.

 

Ganhar um irmão

«Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão» (Mt 18,15). Como nos diz Jesus, a correção fraterna visa ganhar o irmão e não perdê-lo. A correção fraterna é um impulso para a salvação do outro; é a capacidade de saber estender-lhe a mão; é emprestar-lhe os olhos para que enxergue a vontade de Deus, pois, muitas vezes, o erro deixa-nos incapazes de ver e, na escuridão, acabamos por magoar-nos nos obstáculos da vida.

Corrigir os que erram, de forma fraternal, é o oposto da indiferença, pois, ao corrigir, mostro não só que sou responsável pela santidade do meu irmão, mas rompo com o individualismo que me dissocia do outro e que me leva a pensar apenas em mim e na minha perfeição individual.

Ao corrigir e ser corrigido, saio da indiferença em que muitas vezes me refugio para me proteger do duro encontro com o outro. Na missão de corrigir são sábias as palavras do Apóstolo Paulo: «Corrigi os indisciplinados, encorajai os desanimados, amparai os fracos e sede pacientes com todos» (1Ts 5, 14).

 

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Por: Abel Dias

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