Como falam as paredes

Fevereiro 2018 / Sabes

Pag38

 

Quando o meu pai ou a minha mãe falam com a minha irmã e ela está distraída, e não os escuta, eles dizem-lhe: «Estou a falar com uma parede?»

A caminho da escola, ao reparar nos grafitos dos muros, paredes e até meios de transporte, refleti: «Dizem que as paredes têm ouvidos. Talvez nos escutem. Mas também nos falam!»

Antes de mais nada, cada construção, só por si, fala dos gostos de quem a desenhou e de quem a adquiriu.

Além disso, os muros falam por meio das palavras ou dos desenhos que alguém escreveu ou traçou neles.

Alguns escritos fazem sonhar. Ou porque são um verso, ou são declarações de amor, ou desenham flores ou aves no céu…

Outros escritos são afirmações de ideais, ou de ideologias. Pode ser uma frase contra a guerra, ou, em vez disso, uma manifestação de xenofobia. Pode ser uma declaração de um fã de determinado clube desportivo, ou um insulto…

Há traços e letras que revelam competição. Há tipos de letra, formatos e cores que indicam a velocidade da escrita ou quem traçou mais alto.

E, claro, também há riscos que são mostra de falta de educação.

 

 

O grafito é arte e cultura, tem um vocabulário próprio. Eis apenas alguns termos:

 

Writer: Grafiteiro

Biter: O que copia o desenho ou estilo

Piece: Grafito

Mural: A obra com, no mínimo, dois grafitos

Crew: Grupo de grafiteiros

Toy: Principiante

Fame: Grafiteiro com trabalho reconhecido

Wildstyle: Estilo complicado, com letras entrelaçadas

Tag: Assinatura

Tagging up: Assinatura num lugar difícil

Bomb: Grafito rápido ou ilegal

Back to back: Muro preenchido de ponta a ponta

Por: Audácia

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