Quando o meu pai ou a minha mãe falam com a minha irmã e ela está distraída, e não os escuta, eles dizem-lhe: «Estou a falar com uma parede?»
A caminho da escola, ao reparar nos grafitos dos muros, paredes e até meios de transporte, refleti: «Dizem que as paredes têm ouvidos. Talvez nos escutem. Mas também nos falam!»
Antes de mais nada, cada construção, só por si, fala dos gostos de quem a desenhou e de quem a adquiriu.
Além disso, os muros falam por meio das palavras ou dos desenhos que alguém escreveu ou traçou neles.
Alguns escritos fazem sonhar. Ou porque são um verso, ou são declarações de amor, ou desenham flores ou aves no céu…
Outros escritos são afirmações de ideais, ou de ideologias. Pode ser uma frase contra a guerra, ou, em vez disso, uma manifestação de xenofobia. Pode ser uma declaração de um fã de determinado clube desportivo, ou um insulto…
Há traços e letras que revelam competição. Há tipos de letra, formatos e cores que indicam a velocidade da escrita ou quem traçou mais alto.
E, claro, também há riscos que são mostra de falta de educação.
O grafito é arte e cultura, tem um vocabulário próprio. Eis apenas alguns termos:
Writer: Grafiteiro
Biter: O que copia o desenho ou estilo
Piece: Grafito
Mural: A obra com, no mínimo, dois grafitos
Crew: Grupo de grafiteiros
Toy: Principiante
Fame: Grafiteiro com trabalho reconhecido
Wildstyle: Estilo complicado, com letras entrelaçadas
Tag: Assinatura
Tagging up: Assinatura num lugar difícil
Bomb: Grafito rápido ou ilegal
Back to back: Muro preenchido de ponta a ponta




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