Combate o crime

Abril 2014 / Pátio da Escola

Vivemos numa sociedade em que grupos de pessoas acreditam que há seres mais especiais, países mais importantes, etnias e culturas mais inteligentes… e isso gera crimes horrendos.

Porque será abril tão especial? Serão as flores que pintam os campos, enamoradas pelo Sol e seduzidas pelos sons da primavera? Será porque é o mês da celebração da Páscoa ou porque estamos de férias? Todos estes acontecimentos tornam abril especial, mas, na realidade, ele só é especial porque nós o tornamos especial.

Tornar todas as coisas especiais não é tarefa fácil. Tarefa igualmente difícil é mostrar aos outros o quão especial é toda a criação.

Vivemos numa sociedade em que grupos de pessoas acreditam que há seres mais especiais que outros, países mais importantes, etnias e culturas mais inteligentes, estatuto social e económico mais relevante, religiões melhores ou até valores mais importantes que o próprio valor de uma vida humana.

Esta visão do mundo tem como consequência a prática dos mais graves atentados à dignidade da pessoa, que se traduzem em guerra, escravatura e tráfico de seres humanos.

É terrível pensar que palavras como estas não são «coisas» do passado, partes extintas da história da humanidade, mas pedaços da nossa história atual, do hoje, do agora.

É atual

O filme Doze Anos Escravo foi considerado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood o melhor filme do ano. Relata a história verídica de Solomon Northup, que vive o drama da escravatura, o drama de uma vida humana poder ser vendida a troco de dinheiro.

O tema retratado no filme, cuja ação se passa no século xix, podia ser encontrado na realidade dos dias de hoje, num contexto e situações diferentes é certo, mas em comum, as histórias reais de pessoas que são hoje vítimas de exploração e tráfico humano. São vítimas de escravatura.

As mulheres, crianças e jovens são os grupos mais vulneráveis, apanhados por estas redes criminosas. As vítimas são normalmente pessoas de fracos recursos económicos que, numa primeira fase, são aliciadas por falsas promessas de melhoria das condições de vida, sendo depois coagidas a todo o tipo de exploração. Por vezes, são simplesmente raptadas e vendidas, acabando «desaparecidas», ou conseguem fugir com a ajuda de organizações que se dedicam à denúncia destas teias criminosas. 

Duas ideias para praticares na escola

E se marcássemos a nossa posição de reprovação de todo e qualquer tipo de escravatura, começando com algum gesto prático na escola?

Por exemplo, um ciclo de cinema dedicado ao tema… Exibir um filme por semana, seguido de debate e da elaboração de cartazes com frases-chave das personagens do filme que mostrem a realidade vista pelos olhos das vítimas, dos seus familiares e até mesmo pelos agressores, e espalhá-los pela escola, apelando à reflexão. Convidem uma organização que ajude a perceber a real dimensão do problema no nosso país e que grupos de apoio, nomeadamente a emigrantes, existem.

Ou, então, fazer uma exposição com os cartazes, spots publicitários e desdobráveis utilizados pelas diversas organizações na luta contra a exclusão social, tráfico nos países de emigração…

É pôr a imaginação a trabalhar e mãos à obra. Eis uma das razões por sermos tão especiais: não somos indiferentes à indiferença de alguns.

Por: Isabel Mesquita

Deixe uma resposta