Cérebro: Eu, Adolescente

Fevereiro 2014 / Saúde

Ao contrário do que muitos pensam, o cérebro dos adolescentes não é um esboço do cérebro de adulto. Na adolescência acontecem transformações cerebrais que explicam os comportamentos típicos desta fase da vida, decorrentes do esforço adaptativo ao ambiente. Marcada pelo aumento das ligações entre diferentes partes do cérebro, nesta etapa verifica-se o fortalecimento e amadurecimento de algumas redes de neurónios (células nervosas que trocam informações entre si). Mas dá-se também o abandono de outras, menos utilizadas. A maturidade inicia-se nas zonas mais profundas e antigas, próximas do tronco cerebral, e ocorre pelos 24 anos.

 O papel do grupo

A adolescência é um período em que estão muito ativas as áreas do cérebro ligadas à recompensa e se dá mais valor às potenciais recompensas de uma escolha arriscada do que às possíveis consequências negativas dessa opção. Daí ser comum a apetência pelo risco. Em acréscimo, por volta dos 15 anos ocorre o pico da procura de emoções fortes, assim como da atividade dos neurónios-espelho. Estes são células ativadas pela observação dos comportamentos de outras pessoas e que impelem à sua repetição. Desta mistura resulta que em grupo o adolescente tende a correr o dobro dos riscos. Além disso, adota gestos e roupas semelhantes aos dos seus pares, pela sua grande necessidade de ser aceite e afastar o «fantasma» da rejeição, a maior desgraça em que sente que poderia cair. O grupo acaba por funcionar como uma lente de leitura do mundo.

 A importância da família

As transformações por que o adolescente passa são tantas que se torna mais vulnerável ao aparecimento de depressão, transtornos de ansiedade (que englobam a fobia social, muitas vezes confundida com timidez) e alimentares (como a anorexia e a bulimia). É extremamente importante que os pais (ou educadores) estejam atentos e interfiram em tempo útil. A comunicação é fundamental!

Por outro lado, o potencial do cérebro do adolescente será mais amplo se a criança tiver recebido uma boa alimentação, acesso à educação e apoio familiar e emocional.

Adicionalmente, as atividades em família e inventivas ensinam a planear e a lidar com determinadas situações vitais.

  

Sinais do cérebro adolescente

  Humor instável e imprevisível

Comportamentos contraditórios

Preferência cega pela recompensa imediata

Dificuldade de avaliação do risco

Conversas que dão em conflito

Gestos impulsivos

Períodos de raiva ou agressividade

Capacidade de adaptação e sobrevivência às dificuldades

  

Como diminuir comportamentos de risco?

 – Promover ações comunitárias, como jogos ou cursos de arte

– Estimular emoções positivas (mediante atividades criativas)

– Praticar exercício, que estimula a atenção e a memória

 

Por: Fernando Félix

Deixe uma resposta