Campeões fora das quatro linhas

Abril 2016 / Campeões

Todos somos espectadores e, com fairplay, é fácil sermos campeões fora das quatro linhas.

 

À 114.ª edição de «Campeões», chegou a hora de falar aqui de alguém que é muito importante no desporto, mesmo que não o pratique: os espectadores. Sem serem indispensáveis – como estamos fartos de saber e observar em variadíssimas manifestações desportivas, sobretudo nas amadoras e, em particular, nas modalidades individuais –, os espectadores valorizam muito a atividade dos desportistas e são, sem dúvida, o seu maior incentivo. A quantidade de pessoas que se interessa por assistir a uma competição está diretamente relacionada com a qualidade dos intervenientes, quer sejam os desportistas considerados individualmente quer esteja em causa a popularidade dos seus clubes.

 

A maioria das modalidades só se desenvolve quando consegue captar a atenção de muitas pessoas e se formam multidões para assistir às competições. É assim que aparecem os ídolos, decisivos para atrair novos praticantes, pois as crianças e os jovens seguem estes modelos com o objetivo de virem a ter o mesmo tipo de reconhecimento social.

O problema é que nem sempre os espectadores de desporto se manifestam de forma adequada. Infelizmente, sucedem-se as notícias dando conta do mau comportamento de indivíduos ou grupos que se encontram entre a assistência de competições desportivas. E não se trata apenas dos grandes espetáculos, aqueles que levam milhares de pessoas às bancadas dos estádios e pavilhões para apreciarem desportistas profissionais em ação e onde surgem imensos insultos, sobretudo dirigidos aos árbitros.

Frequentemente, a violência surge em locais improváveis, como os jogos (ou até treinos!) de crianças, em diversas modalidades. E, pior, os protagonistas são, muitas vezes, familiares dos jovens desportistas, incluindo os pais.

 

Quase sempre impulsionados pelas suas próprias frustrações enquanto desportistas, há pais que exercem uma influência muito negativa sobre os filhos, pressionando-os a terem o desempenho desportivo que eles próprios não conseguiram.

Alguns são violentos com os filhos mas também com os treinadores e os adversários.

É bom os pais acompanharem de perto a atividade desportiva dos filhos, mas não devem interferir nas orientações dos treinadores, que, tal como os professores, não podem ser desautorizados. Se não concordam com as orientações, confrontem os treinadores e, se não resolverem o problema, escolham outro treinador de acordo com as suas ideias.

Os filhos devem ser os primeiros a seguir o Código de Ética Desportiva, que obriga praticantes, treinadores, árbitros, dirigentes e espectadores a terem um relacionamento correto, sem violência física, psicológica ou social, em competição ou fora dela.

Só alguns são desportistas, mas todos somos espectadores e, com fairplay, é fácil sermos campeões fora das quatro linhas!

Por: Luís Óscar

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