Beisebol em vez de touradas

Janeiro 2019 / Campeões

 

A Monumental Praça de Touros, que o presidente da República Portuguesa Craveiro Lopes inaugurou em 21 de agosto de 1956, na zona das Lagoas, na atual Avenida Acordos de Lusaka, em Maputo, vai ser reinaugurada, no dia 27 deste mês, com o primeiro jogo oficial de beisebol em Moçambique.

Ao abandono desde que Moçambique se tornou independente, em 1975, a praça chegou a ter projetos para recuperação e reutilização, mas só agora, graças à Federação Moçambicana de Beisebol, com o apoio da confederação internacional da modalidade (WBSC), foi viabilizado o regresso dos espetáculos à arena disponibilizada pelo Município de Maputo.

Há muito utilizada pelos entusiastas moçambicanos do beisebol para treinos e jogos não oficiais, a Praça de Touros será o primeiro recinto homologado para a prática da modalidade no país e, no último domingo deste mês, receberá jogos de equipas de adolescentes, a contar para os campeonatos oficiais inaugurais, nos escalões dos 10 aos 12 anos e no dos 13 aos 15.

Embora exista intenção de apostar também na versão maioritariamente jogada por mulheres, designada softebol, para já as equipas terão apenas rapazes. Quatro são da capital e outras quatro da cidade de Matola, onde a Associação de Baiseball e Softball da Província de Maputo (ABSPM) tem mantido acesa a chama deste desporto, introduzido em Moçambique por volta do ano 2000.

Matola Tigers, Machava Imbondeiros, Boane Golden Dragons, Marracuene Lobos, Downtown Gladiators, Maxaquene Red Bulls são sobreviventes das várias equipas que foram disputando campeonatos informais, à margem da organização internacional.

O entrave à implantação do beisebol tem sido precisamente a falta de infraestruturas, mas também de material básico, como tacos, bolas e equipamento de proteção (luvas, capacetes, etc.). Aliás, a falta de meios faz que o único incentivo se resuma ao lanche que é oferecido às crianças.

 

África é prioridade

Muito popular na América do Norte, o beisebol tem conhecido grande divulgação planetária, com cerca de 65 milhões de praticantes em mais de 140 países. A WBSC estabeleceu África como zona estratégica de expansão da modalidade, de regresso ao programa olímpico em Tóquio 2020.

Tendo já expressão em países como África do Sul, Lesoto, Botsuana, Gana e Uganda, o italiano Riccardo Fraccari, presidente da WBSC, deslocou-se a Moçambique para garantir apoio à massificação do beisebol e do softebol, através de programas nas escolas e nas universidades.

O Governo moçambicano também está interessado em diversificar a prática desportiva e reconhece a impacto económico que o beisebol terá na economia local.

O plano prevê criar núcleos nas cidades de Xai-Xai e da Beira. Em 2020, os campeonatos moçambicanos deverão ter oito equipas dos 10 aos 12 anos; oito equipas dos 13 aos 15; e (apenas em Maputo e Matola) quatro equipas dos 16 aos 19.

Entretanto, a federação moçambicana juntar-se-á às 208 federações e membros associados da WBSC existentes em 135 territórios dos cinco continentes, uma formalidade indispensável para receber apoios internacionais.

Por: Audácia

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