Aquecimento chega aos Jogos de Inverno

Fevereiro 2014 / Campeões

Os Jogos Paraolímpicos são importantes para a autoestima de quem perdeu faculdades.

 Pela segunda vez, após Moscovo 1980, a Rússia recebe os Jogos Olímpicos de Inverno, entre 7 e 23 deste mês. Pela primeira vez, daqui a um mês (de 7 a 16 de março), os Jogos Paraolímpicos serão disputados nos mesmos recintos, construídos a pensar na utilização por deficientes. Sochi (Krasnodar) será a primeira cidade com clima subtropical a acolher os Jogos de Inverno. A Vila Olímpica, onde se disputam os desportos no gelo, fica na costa do Mar Negro. As modalidades de neve terão lugar na montanha conhecida como Krasnaya Polyana, apenas a 50 quilómetros ou meia hora de viagem. Os percursos entre as aldeias olímpicas e os locais das provas demorarão entre 5 e 15 minutos.

 

 Hóquei no gelo, patinagem de velocidade, patinagem de velocidade em pista curta, patinagem artística, curling, saltos de esqui, combinado nórdico, biatlo, esqui, esqui alpino, esqui freestyle, snowboard, tobogã (bobsleigh), skeleton e luge são as modalidades de Sochi 2014, incluindo algumas novas provas como, por exemplo, patinagem artística por equipas, saltos de esqui feminino e biatlo misto.

Muitas destas modalidades são desconhecidas dos portugueses. O nosso clima é pouco propício a desportos de inverno, mas isso não impede a participação desde Oslo 1952, com o pioneiro Duarte Espírito Santo Silva. Houve mais oito olímpicos de Portugal, mas todos nasceram no estrangeiro ou eram emigrantes, como acontecerá em Sochi com Artur Hanse (20 anos, residente em França) e Camile Dias (17, Suíça), ambos no esqui alpino.

Curiosamente, foi nesta modalidade e nesta situação de emigrado (no Canadá) que o marroquino Adam Lamhamedi se tornou o primeiro africano a conquistar uma medalha (a de ouro) em competições de inverno, nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Innsbruck 2012.

Os Jogos Paraolímpicos terão um programa mais curto e adaptado: esqui alpino, esqui de fundo, biatlo, hóquei no gelo de trenó e curling em cadeira de rodas.

Os Paraolímpicos são encarados com cada vez mais seriedade, sobretudo pelo papel que têm na autoestima de pessoas que perderam faculdades. Foi o caso de Olesya Vladykina (foto página anterior), que era nadadora profissional há dez anos quando perdeu o braço esquerdo num acidente de autocarro. Olesya conseguiu voltar a nadar em apenas seis meses e bateu o recorde do mundo nos 200 metros costas em Pequim 2008, tendo dedicado a medalha de ouro à amiga Alexandra, que perdeu a vida no desastre. Agora é uma das embaixadoras de Sochi 2014, tal como a modelo Natalia Vodyanova, grande apoiante da causa paraolímpica.

Uma das irmãs de Natália nasceu deficiente e isso deu-lhe uma grande sensibilidade para as dificuldades das pessoas nesta condição. Natália dirige uma associação que construiu na Rússia mais de uma centena de parques infantis, todos equipados para crianças deficientes.

Por: Luís Óscar

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