Hipo… quê?

«Trata-se de um dos diminutivos mais sortudos, que se tornou independente há séculos da forma base que é “Margherita”» («O santo onomástico da semana», Enzo Caffarelli, O Meu Papa, ed. n.o 8, 19.05.2017, p. 58).

Diminutivo, sim, mas diminutivo especial: para estes, devemos reservar a designação hipocorístico. Em termos rigorosos, esta designação abrange qualquer variante afetiva de um nome próprio e procede do vocábulo grego hypokoristikós, «acariciador». Assim, a Mariana transmuta-se em Nana, a Maria em Bia, a Helena em Lena, o José em Zé, o Joaquim em Quim, o António em Tói, a Francisca em Dinha, a Carlota em Loló, a Filomena em Filó, a Alexandra em Xana, o Guilherme em Gui, a Teresa em Teté, a Josefa em Zefa, o Francisco em Chico, a Maria de Lurdes em Milu, a Maria do Carmo em Micá, a Maria José em Mizé, o José Carlos em Zeca, a Gabriela em Gabi, a Elisabete em Bete, o Manuel em Nelinho, o Alberto em Beto, o Joaquim António em Quitó…

Estas formas reduzidas de antropónimos podem resultar de uma linguagem infantil, como se pode ver na sílaba de redobro de palavras como «caca», «chichi», «cocó», «mamã», «papa», «papá», «popó», «tautau», «titi» e outras. Os hipocorísticos também se usam noutras línguas, como o espanhol, em que qualquer Soledad é Sole, uma Remedios é Reme, um Francisco é Paco, um Rafael é Rafa, um Ignacio é Nacho, Consuelo é Chelo, etc. Em catalão, o mesmo, com a curiosidade de o método ser a aférese: uma Montserrat vê-se aliviada em Rat, uma Concepció responde por Ció…

 

Um porco, um corpo

Se queres ver o teu corpo, abre um porco. Levante o dedo quem já ouviu este provérbio. Daqui não vejo quem levantou o dedo, mas vou partir do princípio de que não foram muitos. E que significa? Muito simples: há grandes semelhanças entre o corpo humano, sobretudo a localização dos seus órgãos, e o corpo daquele simpático mamífero artiodáctilo, doméstico, da família dos Suídeos.

E já viram que «corpo» e «porco» se escrevem exatamente com as mesmas letras? Na verdade, a semelhança é tão grande, que, apesar das questões éticas e técnicas, se realizam transplantes de órgãos do porco para o corpo humano. São os chamados xenotransplantes, ou transplantes xenogénicos.

O elemento de formação de palavras xen(o)- exprime a ideia de estrangeiro, estranho. A par deste, há mais dois tipos de transplantes: os autotransplantes, ou transplantes autólogos, e os alotransplantes, ou transplantes alogénicos.

 

Em forma de… dónute

Em cada início de ano, costumamos formular resoluções. No início das férias grandes também o podemos fazer. E que tal, por exemplo, aprender todos os dias, até ao começo do novo ano letivo, uma palavra nova?

Abrimos, aleatoriamente, um dicionário da língua portuguesa e lemos, por exemplo, o terceiro verbete da primeira coluna da página par. «Toroidal?»  «Redondo? Nem por isso: um pneu poderia parecer redondo, mas na verdade tal não é verdade. Um pneu não é 100 % redondo, mas sim toroidal. Se no mundo perfeito isso deveria ser uma realidade, a prática dita uma grande dificuldade para produzir um pneu totalmente redondo devido a várias fases de produção que apenas resultam no formato toroidal perto do processo de elaboração do pneu» («Segredos dos pneus: O que deve saber deste componente essencial!», Motor 24, 24.05.2017).

Toroidal: em forma de toro. Alguns dicionários registam — e, como exemplos, são mais claros, a meu ver — que toroidal é a forma da câmara-de-ar ou do dónute.

Por: Audácia

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