Aprender a sentir gratidão

Maio 2017 / Bíblia-app

AU_Maio2017_Pag28

 

Num tempo e numa sociedade que parecem apreciar demasiado a autossuficiência e a achar muito bem que «cada um faça por si», Matilde decide remar contra a maré e lançar o tópico da gratidão, que, direta ou indiretamente, liga os seres humanos entre si e os leva a reconhecer a dependência saudável que têm uns dos outros.

Começa por contextualizar um pouco o assunto referindo o muito que todos temos de agradecer a outros – que, muitas vezes, nem conhecemos! –, por exemplo, logo nos primeiros minutos da nossa rotina diária: ao canalizador que nos permite ter água para a nossa higiene; a quem produziu as toalhas, sabonetes, escovas de dentes e cabelo, roupas e sapatos que usamos; ao padeiro, que trabalhou toda a noite para podermos desfrutar de pão fresco ao pequeno-almoço, e por aí fora.

Os jovens ouvem atentamente, com cara de quem está espantado com o que recebe todos os dias de outras pessoas sem que nunca tivesse pensado nisso…

– O problema – explica Matilde – é que tendemos a julgar que merecemos sempre tudo, vá-se lá saber porquê! Por outro lado, quando nos toca dar alguma coisa a alguém – e isto inclui sobretudo o dar-nos –, o cenário muda de figura e sentimos que estamos a fazer um grande favor. No entanto, a vida é formada por esta permuta tão natural.

A catequista pega na Bíblia e propõe a leitura de Lc 17, 11-17, onde é narrada a história da cura dos dez leprosos que Jesus encontrou quando ia a caminho de Jerusalém. Apesar de haver curado os dez, somente um voltou para agradecer essa grande dádiva.

– Jesus não lhes pediu que regressassem para agradecer – esclarece Matilde –, mas supunha-se que fosse essa a atitude a esperar depois da cura de uma doença tão terrível como a lepra. E seria lógico que o fizessem, porque todos tinham pedido o milagre e todos foram contemplados.

– Então, porque é que não o fizeram? – indaga Joel.

– Pergunta a Lucas na Bíblia_app – desafia Matilde.

Ele assim fez e a resposta não tardou:

– Provavelmente, os nove que não retornaram não se deram conta do imenso dom que Jesus lhes concedeu; só a consciência de que precisamos dos outros e de que o que recebemos deles é um dom é que nos torna agradecidos. E não se trata unicamente de coisas materiais, mas igualmente das espirituais, afetivas… – devolve Lucas.

– Isso quer dizer que devemos andar a dizer «obrigada» a torto e a direito? – demanda, meio espantada, Cristina.

– A postura grata não se exterioriza simplesmente com palavras; os gestos e comportamentos complementam-na – retruca Lucas.

– Como é que eu sei se sou ou não agradecida? – procura Inês.

– Questiona-te se tens facilidade em reconhecer o que os outros te dão e fazem e agradecer-lhes explicitamente quando o recebes; se ajudas os demais de forma incondicional tal como te ajudaram…

– Porque é tão importante a gratidão? – remata Filipe.

– Porque nos leva a tomar consciência de que não somos ilhas, porque nos faz viver com outra profundidade; porque é fonte de alegria e impele-nos a agir numa perspetiva de colaboração e acolhimento, ao invés de competição; porque nos faz olhar para Deus e para os outros com mais confiança e otimismo – conclui Lucas.

 

Pensa nisto…

«Sentir gratidão por alguém e não o manifestar é como embrulhar um presente e não o entregar».

Por: Maria Mendonça

Deixe uma resposta