Apelo para a paz

Abril 2017 / Invencíveis

 

O Governo do Sudão do Sul declarou, a 20 de fevereiro, o estado de fome em duas regiões do país. A UNICEF, presente no terreno, diz que mais de um milhão de crianças sofrem de malnutrição aguda. Outros 135 organismos humanitários afirmaram que necessitam de mais de 1,5 mil milhões de euros para assistir e proteger perto de oito milhões de pessoas afetadas pela guerra civil, a crise económica e as mudanças climáticas.

A Igreja dá eco do sofrimento dos sul-sudaneses, dizendo num comunicado que o país está atado por uma crise de fome, insegurança e dificuldades económicas. Acusa tanto as forças militares do Governo como as milícias rebeldes da oposição: «Não há dúvida que esta fome é provocada pelo homem.» Pela voz dos bispos, a Igreja denuncia mortes, violações, pilhagens, deslocamentos forçados, ataques a igrejas e destruição de propriedades em todo o país: «Há uma grande falta de respeito pela vida humana. Padres, irmãs e outras pessoas têm sido molestadas. Igrejas foram queimadas.»

Numa mensagem para os cristãos, em particular, mas que quer chegar a todos os sul-sudaneses, apelam para a convivência pacífica: «Pedimos que vos mantenhais fortes na fé e pratiqueis a moderação, a tolerância, o perdão e o amor. Trabalhai pela justiça e a paz; rejeitai a violência e a vingança.»

 

Carta aos sul-sudaneses

Os Missionários Combonianos – que publicam a Audácia – escreveram uma carta aos habitantes do Sudão do Sul. E gostariam que partilhássemos os mesmos sentimentos.

«Queridas irmãs e irmãos no Sudão do Sul, saudamos-vos no nome de Jesus.

São Daniel Comboni – nosso fundador – tinha um grande amor a vós. Fostes “o primeiro amor” da sua juventude.

Nós, missionários no mundo inteiro, temos o mesmo amor a bater nos nossos corações. Sofremos convosco nestes tempos inexplicáveis de miséria e morte, e seguimos a vossa situação com grande preocupação.

O sonho do Dia da Independência foi estilhaçado pela guerra que rebentou na capital, Juba, e, como um fogo na floresta, alastrou-se a todo o país.

O sangue de milhares de civis e militares mortos grita por paz; os feridos e as mulheres violadas precisam de tratamento, conforto e justiça.

Rezamos para que a paz regresse ao Sudão do Sul!

Rezamos pelos vossos líderes políticos: que eles olhem para lá dos interesses pessoais ou de grupo, e iniciem um diálogo nacional de perdão, reconciliação e reparação!

Rezamos pelos vossos líderes religiosos: que eles vos guiem pelos caminhos da concórdia!

Rogamos à comunidade internacional que vos continue a assistir com comida e medidas práticas de segurança para alivar o vosso grande sofrimento.»

Por: Fernando Félix

Deixe uma resposta