Alimentação: Fome emocional

Novembro 2014 / Saúde

A fome não é toda igual. Podemos sentir fome fisiológica (ou “barriga a dar horas”), aquela que nos leva a consumir alimentos para repor a energia e assim manter o organismo a funcionar; mas, outras vezes, o que temos é fome emocional (ou psicológica). Esta surge por necessidade de conforto e pode ser provocada por ansiedade, tristeza, stress, algum trauma, frustração, medo, tédio, raiva, depressão…

A chamada fome sem fome, que deve ser trabalhada com a ajuda de especialistas, leva as pessoas que dela padecem a comer sem parar, mesmo que se sintam cheias e até enfartadas. E traduz, frequentemente, situações pessoais difíceis de ultrapassar.

 

Os meandros psicológicos…

A fome emocional é uma tentativa de resolver as próprias dificuldades recorrendo à comida, nomeadamente doces ou alimentos muito gordurosos (bolachas, chocolate, bolos…). Contudo, o prazer que se experimenta ao comê-los passa muito rapidamente. E, logo após um episódio de fome emocional, sente-se uma grande culpa, seguida de arrependimento. Trata-se de estado vicioso, já que vai desencadeando novas crises de gula. Torna-se um vício do qual é muito complicado sair.

Deste modo, depois da ocorrência de excesso alimentar, o ideal é a pessoa perdoar-se a si mesma e manter uma alimentação saudável nos dias que se seguem, procurando banir a culpa. A prática de exercício físico também auxilia na compensação dos exageros. Pelo contrário, a imposição de uma dieta rígida, com controlo apertado de alimentos e horários, gera ainda mais compulsão.

 

Fome física e fome emocional

Para distinguir a fome real da emocional, basta pensar: «A que horas comi pela última vez?» «Já está na hora de sentir fome novamente?» A fome física é uma «fome de estômago», suscetível de ocasionar uma sensação de fraqueza, desconforto e leve dor de cabeça. Vai aumentando progressivamente e não se perde o controlo da situação. A fome emocional costuma aparecer de repente, por norma mais ao fim do dia, já em casa, sem tanta pressão da escola ou do trabalho. E vem acompanhada de uma urgência louca de comer qualquer coisa (de preferência muito calórica) naquele preciso instante. Équase tãoarrebatadora como aquilo que a origina.

 

Que fazer?

Identificar as razões da fome emocional e resolver as questões associadas.

Analisar o padrão de ingestão (o quê, em que situações…).

Arranjar distrações para os momentos piores.

 

Dicas para contornar a fome emocional

Ter uma rotina alimentar com horários certos

Começar a refeição com uma sopa

Desabafar com alguém os problemas

Evitar comprar alimentos que engordam

Fazer uma caminhada em vez de ir comer

Saborear os alimentos, deixando-os mais tempo na boca

Procurar atividades que preencham

Ler um bom livro ou passear com um amigo

Praticar desporto

Ir ao cinema ou algo parecido

Por: Fernando Félix

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