Alargar as fronteiras da igreja

Abril 2017 / Destaque

 

No dia 9 de abril, celebra-se a Jornada Mundial da Juventude. Será uma ocasião para os jovens serem protagonistas na sua paróquia e para as paróquias analisarem como trabalham com a juventude.

 

Os jovens membros das nossas paróquias e comunidades cristãs, envolvidos em alguma atividade a eles destinada (catequese, associativismo juvenil…) serão cerca de 15 ou 20 de cada 100 jovens portugueses. Eles fazem uma experiência interessante e motivada da fé cristã; têm uma relação saudável, enriquecedora com o Deus de Jesus Cristo, mesmo quando o Espírito Santo é deixado de lado. Conseguem resistir ao silenciamento que a comunicação social e a escola impõem à visão cristã. Mas a maneira como agem a partir da fé é ainda pobre.

 

Jovens imaturos na fé?

Os jovens cristãos percebem que a fé, essa relação de amor e confiança para com Deus, tem algumas implicações. Mas os compromissos que eles identificam e vivem são autocentrados ou de curto alcance. Têm consciência de que a fé pede para ser alimentada, por meio da formação pessoal, na oração, nos sacramentos… A fé fá-los sentir-se bem consigo mesmos; é uma experiência libertadora nos momentos de crise. Chega até a ser fonte inspiradora de um novo estilo de relacionamento. Mas esse impacto inovador da fé surge apenas nas relações de curto alcance: família, amigos chegados, eventualmente os parceiros românticos.

Não todos, mas bastantes jovens cristãos têm imensa dificuldade em perceber que a fé poderia e deveria ser fonte de renovação nos campos da política, da economia, da sociedade. A experiência de fé que fazem não está a ser suficiente para os alertar para o que sucede nos outros espaços da vida, fora da sua zona de conforto. Por isso, por exemplo, o tema da missão – no outro lado do mundo ou junto de um coetâneo culturalmente afastado da Igreja – é-lhes estranho.

 

Jovens amadurecidos na fé

De entre os jovens cristãos há uma minoria ainda mais reduzida que parece ter um perfil muito diferente. Estão disponíveis para projetos de solidariedade ou de serviço missionário, seja em Portugal, seja no estrangeiro. Algumas vezes, esta sensibilidade para a missão nasce de uma profunda experiência de fé, enraizada na oração e num olhar atento para os desafios do mundo atual, perguntando-se o que faria Jesus. Outras vezes, essa disponibilidade para a ação e o serviço legitima-se somente em valores vagos, como solidariedade, filantropia…

 

Tarefa por fazer

Evangelizar é anunciar o Evangelho de modo que o crente se ajuste ao modo de ser e de agir de Deus, como o revelou Jesus Cristo. Se grande parte das novas gerações não tem sensibilidade para a missão, convirá refletir para saber se é uma dificuldade específica da forma como a Igreja tem trabalhado com os jovens ou se é eco de uma indiferença missionária que caracteriza amplos sectores da Igreja portuguesa.

Por: Rui Alberto

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