Africanos de trenó nos Jogos Olímpicos

Fevereiro 2018 / Campeões

 

O mundo ficou espantado quando, há trinta anos, uma equipa da Jamaica conseguiu apurar-se para os Jogos Olímpicos de Inverno, na modalidade de bobsled, cujo objetivo é ser rápido a descer uma sinuosa pista de gelo montando um trenó.

Em Calgary 1988, os jamaicanos não só se tornaram os primeiros atletas tropicais numa competição própria de países onde neva, como até tiveram uma prestação muito aceitável, classificando-se à frente de vários concorrentes, incluindo portugueses que, na verdade, também não têm grande tradição nos desportos de inverno.

A proeza e a aventura da competição no Canadá estão contadas no interessante filme Jamaica abaixo de Zero, estreado em 1993.

Este mês, entre 9 e 25, será a vez de África estrear mulheres nos Jogos Olímpicos de Inverno, também com uma equipa de bobsled. Em PyeongChang 2018, na Coreia do Sul, as nigerianas Seun Adigun, Ngozi Onwumere e Akuoma Omeog vão cumprir o sonho iniciado há dois anos, nos Estados Unidos da América, onde vivem.

Praticantes de atletismo, decidiram entrar para a História numa modalidade completamente diferente. Por meio de uma campanha de recolha de donativos pela Internet (crowndfounding), tentaram reunir os cerca de 65 mil euros necessários para adquirir o equipamento, fazer a preparação e participar nas provas de qualificação. Tudo ficou mais fácil quando receberam o apoio de um grande patrocinador, que se interessou por estes exemplos inspiradores.

Os responsáveis do Jogos de Inverno e, sobretudo, a federação de bobsled esperam que esta participação nigeriana tenha um efeito mobilizador semelhante ao da Jamaica. A equipa de 1988 esteve nos Jogos de 1992, 1994 e 1998 e o país voltou, com outra formação, em 2014.

Portugal nunca mais se qualificou.

 

O palco olímpico não será uma novidade para Seun Adigun, campeã africana em 2010 e participante na prova de 100 metros barreiras nos Jogos de Verão Londres 2012. Agora será a piloto ao comando do bobsled com a bandeira verde e branca da Nigéria. Para ajudar na impulsão inicial e na travagem final, Adigun será apoiada pelas brekwomen Ngozi Onwumere (igualmente velocista, vencedora de uma medalha de prata nos 200 metros dos Jogos Africanos de 2015 e outra de ouro, na estafeta de 4×100 metros, na mesma competição, realizada na República do Congo) ou Akuoma Omeoga (que não atingiu a excelência das companheiras, mas competiu nos 100 e 200 metros, representando a Universidade de Minesota, onde se licenciou). As equipas femininas têm dois elementos (piloto e brekwoman), enquanto para homens existe também uma versão de quarteto.

Portugal vai ser um dos 84 países em competição em PieongChang. Nas provas de qualificação, que decorreram até final de janeiro, apurou-se, pelo menos, para o slalom gigante (esqui alpino).

Por: Luís Óscar

Deixe uma resposta