África: a linguagem nasceu ali?

Setembro 2018 / Vária

Os antropólogos e os geneticistas acreditam que os humanos modernos surgiram na África. E a linguagem humana, também teve origem neste continente?

Quentin D. Atkinson, investigador linguista da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, depois de comparar 504 idiomas de todo o mundo, defendia num artigo publicado na revista Science, em 2011, que a linguagem humana começou no sudoeste da África, nas línguas que usam cliques – isto é, som produzido com a língua ou os lábios sem a ajuda dos pulmões. Esta região corresponde hoje a países como Namíbia, Botsuana e parte da África do Sul. As línguas referidas chamam-se coissã, faladas pelos bosquímanos. Explanava, depois, Atkinson que, conforme as comunidades humanas iam aumentando, crescia o número de sons (fonemas).

Mas a teoria de Atkinson não é consensual e continua por esclarecer a pergunta: onde nasceu a linguagem?

 

Os idiomas do continente africano

África tem 54 países e 1,2 mil milhões de habitantes. A Unesco estima que sejam falados neste continente entre 1500 e 2000 idiomas diferentes, pertencentes a quatro grupos linguísticos.

As línguas coissãs são as mais antigas, mas os seus 12 idiomas, com 550 mil falantes, formam a grupo linguístico mais pequeno. São as que estão em maior risco de extinção. A maior família linguística da África é o grupo niger-congo, com 1526 idiomas e 459 milhões de falantes na faixa central do continente. Pertence a este grupo o suaíli, que é a língua com mais falantes na África.

Compõem o grupo afro-asiático 366 línguas, com 445 milhões de falantes, situados na faixa africana do deserto do Sara. As mais importantes são o egípcio, com a sua longa história de textos escritos, e línguas semíticas, como o hebraico, o amárico e o árabe, pela sua vertente religiosa.

Ao ramo nilo-sariano pertencem 201 idiomas. Caracterizam-se por ser línguas tónicas, em que palavras iguais mudam de significado conforme o tom. Têm 51 milhões de falantes.

Por: Audácia

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