Acolher no coração

Novembro 2014 / Crianças em missão

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O Papa Francisco recebeu um grupo de 37 pessoas da Eritreia no Vaticano. Mais de 20 eram sobreviventes do naufrágio ocorrido em outubro de 2013 perto da ilha italiana de Lampedusa. Os restantes eram familiares. Deslocaram-se a Roma desde os países da Europa que os acolheram, principalmente Alemanha, Suécia, Noruega, Holanda e Dinamarca.

O papa lembrou os 368 emigrantes que morreram naquele acidente. E apelou para os europeus: «Peço a todos os homens e mulheres da Europa que abram as portas dos seus corações.» Porque, prosseguiu Francisco, «quando parece que chegamos a bom porto, veem-se coisas duríssimas. Encontramos portas fechadas e não sabemos para onde ir. A porta do coração é a mais importante neste momento».

Os eritreus ofereceram ao Papa uma escultura de ferro que representa uma garrafa deitada ao mar com uma família no interior.

 

A quem abrir o nosso coração

No que vai de 2014, mais de 165 mil pessoas tentaram chegar à Europa através de uma viagem perigosa pelo mar Mediterrâneo em embarcações sobrelotadas. Em 2013, fizeram a mesma viagem 60 mil pessoas. Os dados são do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A maioria – 118 mil – escolheu a costa italiana como destino. E a maior parte são emigrantes ilegais africanos.

«Essas pessoas não têm outra solução além de atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa. Praticamente já não podem chegar por meios legais e a via terrestre está bloqueada pelo conflito na Síria», explica o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards.

 

É hora de acabar com esta violência

Nos primeiros dez meses de 2014, mais de 3000 imigrantes morreram no mar Mediterrâneo a tentar chegar ilegalmente à Europa. A maioria das mortes ocorreu nos mares da Grécia, Itália e Líbia.

«Chegou a hora de fazermos mais do que apenas contabilizar as vítimas», afirmou William Lacy Swing, diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), com sede em Genebra (Suíça). «É hora de o mundo se comprometer a acabar com essa violência contra imigrantes desesperados», acrescentou. E disse ainda: «Os imigrantes sem documentação não são criminosos, mas seres humanos que precisam de proteção e assistência, e merecem respeito. […] Muitos fogem de conflitos, perseguições ou da pobreza.»

A maioria dos que chegaram à Itália vão em busca de refúgio das guerras, como as da Síria, Palestina ou Eritreia. Ou fogem dos regimes repressivos, como o da Eritreia, e da pobreza na África Subsariana.

 

Lampedusa

Ilha italiana no mar Mediterrâneo. Está a um dia de distância, por mar, do norte de África. A maior parte dos emigrantes não sabe ao que vai, confia em redes de passadores, submete-se a condições sub-humanas, na esperança de encontrar uma vida melhor.

Muitos dos barcos acabam por naufragar. Os sobreviventes são encaminhados para um centro de emergência. Nas águas, a missão Mare Nostrum tenta evitar tragédias, com um navio, duas fragatas, dois navios-patrulha, aviões e helicópteros.

Por: Fernando Félix

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