Acolher é obra de misericórdia

Dezembro 2015 / Bíblia-app

As obras de misericórdia são as ações de caridade pelas quais prestamos auxílio ao próximo, de acordo com as suas necessidades corporais e espirituais.

 

Ser misericordioso é muito mais do que ser simplesmente bonzinho porque se tem muita pena de alguém. E é isto que Matilde pretende, no mês do Natal e, portanto, da misericórdia por excelência, incutir nos seus alunos da catequese.

– Sabem o que vai ocorrer do dia 8 de dezembro deste ano até ao domingo de Cristo Rei de 2016? – começa ela.

– Não! – responderam em uníssono Cristina, Filipe, Inês e Joel.

– Nem se vos disser que se trata de algo convocado pelo Papa Francisco?

– Ah! É qualquer coisa da misericórdia, não é? – pergunta Inês.

– É o Ano da Misericórdia – elucida Matilde. – Quem é capaz de me dizer o que é a misericórdia?

– Terá que ver com perdão? – arrisca Cristina.

– Também – esclarece Matilde. – Mas é muito mais do que isso. Jesus diz-nos em Lc 6, 36: «Sede misericordiosos como vosso Pai do Céu é misericordioso», e, em Mt 9, 13: «Quero misericórdia e não sacrifícios.» Antes (Mt 5, 7), já tinha declarado: «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.» E o que não falta são formas de o concretizar: existem 14 obras de misericórdia, sete corporais e sete espirituais.

– Espirituais? – estranha Joel.

– Sim, perdoar é uma delas – aclara Matilde.

– Então, a misericórdia é equivalente  à compaixão? – indaga Filipe.

– Exatamente! Compaixão significa “estar com”. Portanto, a misericórdia não se resume a dar uns alimentos e umas roupas que já não usamos; convoca-nos a estar com o nosso próximo em todos os momentos da sua vida, a partilhar a vida dele e com ele. E a noção de próximo vem mesmo a calhar, porque hoje quero desenvolver a obra de misericórdia corporal que convida a acolher os peregrinos. Jesus experimentou, desde o seu nascimento, o desabrigo. Relata-nos o Evangelho de S. Lucas (2, 7) que negaram a José e Maria lugar na hospedaria quando esta estava para dar à luz.

– Se eles soubessem quem era Jesus, não faziam isso, não! – observa Joel.

– Pois, mas sabemos, pelo próprio Jesus, que Ele se encontra em cada um de nós e tudo o que fizermos aos outros é a Ele que fazemos – enfatiza Matilde.

– Então, temos de levar as pessoas que não têm casa para a nossa? – assusta-se Filipe.

– A Igreja dispõe de estruturas e projetos que nos permitem colaborar nestas obras, economicamente ou em serviços de voluntariado.

– E se perguntássemos a Jesus, na Bíblia_app, o que acha disto? – sugere Cristina.

E Jesus começa por alargar o conceito de hospitalidade. Alude ao acolhimento na vida familiar, no afeto, na convivência, quer dizer, na casa do coração antes ou em simultâneo do albergar efetivamente quem quer que seja. Faz menção à escravidão dos horários e compromissos intermináveis e na falta de tempo. Refere a necessidade de atenção e escuta de que padecem tantas e tantas pessoas…

– Ó Jesus – questiona Inês, na Bíblia_app –, queres dizer que é melhor ser casa do que dar casa, mesmo para todos estes refugiados que estão e vão chegar entre nós?

– Ao integrar os outros física, mental, emocional e socialmente, sentindo-os, é moldado o interior de quem assim acolhe – conclui Jesus.

 

Pensa nisto

Misericórdia é estar com o nosso próximo em todos os momentos da sua vida, a partilhar a vida dele e com ele.

Por: Maria Mendonça

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