Ação Caritas: Alimento para todos

Março 2014 / Destaque

Há na Terra condições para alimentar toda a sua população. Todavia, cerca de 850 milhões de pessoas padecem o flagelo da fome. É um escândalo – como o classifica o Papa Francisco – que não podemos continuar a fingir não ver.

O amor cristão manifesta-se quando a pessoa realiza um gesto de caridade que produz bem-estar no próximo. Com este espírito e com o lema «Uma só família humana, alimento para todos», a Caritas Internacional lançou uma campanha global que tem como objetivo o fim da fome em 2025. São 164 as Caritas envolvidas, de 200 países. E o método é chamar a atenção dos governos, da Organização das Nações Unidas (ONU) e de todos os homens e mulheres para a importância da luta contra a fome.

O Papa Francisco é um dos primeiros apoiantes da iniciativa. Na mensagem que gravou em vídeo, ele afirma que «o mundo não pode olhar para o lado e fingir que não vê os milhões de pessoas que sofrem por causa da fome».

A Caritas Internacional apela para os países que ainda não garantem o direito à alimentação que o coloquem na sua constituição e, a todos, que o insiram na agenda política.

 

Apelo a cada pessoa

A mudança começa com pequenos gestos, e, sobretudo, inicia-se em cada um de nós. Para haver uma mudança exterior, pode ser necessária uma conversão interior: mudar mentalidades, corrigir perspetivas, inovar no modo de abordar os temas. As Caritas são muito concretas neste ponto: precisamos de estar convencidos de que somos uma só família humana. O que acontece perto e longe deve ter o mesmo impacto em cada um de nós. Para isso, temos de desenvolver o valor da proximidade, o fazer-se próximos uns dos outros. Pois só esta proximidade faz despertar a sensibilidade para as injustiças sociais e trabalhar para a verdadeira compaixão, que é sinónimo de colaboração e de partilha.

 

Porquê o tema da alimentação

O alimento é essencial para que vivamos de forma digna. Foi assim que Deus nos quis criar, necessitados de alimento. Na experiência cristã, a «partilha do pão» – como se definiu pela primeira vez a Eucaristia – deu origem à Igreja. A partilha é, pois, um elemento constitutivo do ser cristão. Partilha é um dos sinónimos do amor ao próximo.

 

Etapas da campanha

Dia a dia, as Caritas sensibilizarão o público em geral. Irão fazer com que analisemos as nossas atitudes e comportamentos relativamente à comida e ao desperdício, e nos perguntemos o que poderíamos mudar. Ao mesmo tempo, vão entusiasmar-nos a colaborar com as instituições que, de diferentes maneiras, trabalham para o bem-estar social: as que prestam apoio aos mais carenciados, as que criam emprego, as que ajudam a regularizar dívidas, etc.

Em outubro próximo, será organizada uma semana global de ação contra a fome que pretende juntar as 164 Caritas mundiais com diferentes atividades. Para conhecer as iniciativas em Portugal, deve-se contactar a Caritas Portuguesa (www.caritas.pt).

 

Quaresma e alimento para todos

Por ocasião da Quaresma, o Papa Francisco escreveu uma mensagem a que chamou «Fez-Se pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza». São palavras que o Apóstolo São Paulo escreveu aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis necessitados de Jerusalém.

Escreve Francisco que «tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza», e que «a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco».

O papa explica a lógica de Deus que nos enriquece com a sua pobreza: «Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Cristo […] coloca-se no meio do povo necessitado.»
E aclara: «Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos?

É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o Seu amor de compaixão, de ternura e de partilha.»

A consequência é lógica: «À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias (material, moral e espiritual) dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar.»

Por: Tiago Ferreira

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