Abecedário dos africanos que cruzam o Mediterrâneo

Julho-Agosto 2015 / Destaque

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Mais de 103 000 imigrantes e refugiados chegaram à Europa desde o início de 2015. No seu êxodo, arriscaram a vida cruzando o deserto do Sara e o mar Mediterrâneo. A maioria foge de conflitos em África e no Oriente Médio. 

 

África: Deste continente partem africanos desesperados rumo à Europa. Procuram condições de vida que sejam muito mais gratificantes do que aquelas que tinham nos seus países de origem, onde apenas conseguiam lutar pela sobrevivência. Uma das rotas une migrantes do Uganda, da Somália, da Etiópia, da Eritreia, do Sudão e do Sudão do Sul em Bengazi, na Líbia ou no Egito. Outra rota junta migrantes dos Camarões, do Gana, da Nigéria, do Chade e do Níger também na Líbia, mas em outros pontos da costa, ou, então, dividem-se por Tunísia, Senegal, Mali, Argélia e Marrocos. Os que chegam à Líbia e Tunísia procuram alcançar a Europa por Itália, Grécia ou Malta. Os outros, depois de chegarem ao enclave espanhol de Ceuta e Melilha, avançam por Espanha.

Clandestinos: É de forma clandestina que milhares de africanos procuram chegar à Europa.

Deserto do Sara: A cidade de Gao, no Mali, é a porta de entrada do Sara para muitos imigrantes africanos que tentam chegar à Europa. O Mediterrâneo está a dois mil quilómetros. A viagem de camião é repleta de perigos.

Europa: Em 2015, poderão entrar na Europa mais de 250 mil imigrantes ilegais. No primeiro semestre, haviam chegado 103 mil. Incapazes de conter este fluxo, os 28 Estados-membros da União Europeia querem atacar o problema na origem.

Frontex: Oficialmente, chama-se Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-membros da União Europeia. É o organismo da União Europeia que visa prestar assistência no controlo e fiscalização das fronteiras. Se as normas o ditarem, reenvia os imigrantes ilegais para os seus países de origem. A sua sede localiza-se em Varsóvia, na Polónia.

Igreja: O Papa Francisco, em Lampedusa, deixou um apelo aos cristãos e a todas as pessoas: «Tende a coragem de acolher aqueles que procuram uma vida melhor.» Condenou os traficantes e censurou aqueles que perderam a capacidade de chorar os mortos.

Lampedusa: A ilha italiana é a porta de entrada preferida na Europa. É um dos pontos mais a sul do continente. A Tunísia fica apenas a uma centena de quilómetros.

Mediterrâneo: Há dez rotas marítimas que ligam o norte de África ao sul da Europa, percorridas diariamente por milhares de africanos.

Náufragos: Organizações não governamentais estimam que perto de vinte mil pessoas terão morrido ao tentar chegar à Europa nas últimas duas décadas, tanto no Mediterrâneo como no deserto do Sara.

OIM: A Organização Internacional para as Migrações, criada em 1951, é a principal organização intergovernamental dedicada à área das migrações. Congrega 127 Estados-membros, 77 ONG e 17 Estados observadores. Baseia a sua atuação no princípio de que uma migração ordenada beneficia os migrantes e a sociedade. Combate o tráfico de pessoas.

Pateras: Este é o nome de uma embarcação lisa. O seu nome foi dado simbolicamente às embarcações utilizadas no Mediterrâneo para transportar os imigrantes ilegais. Retrata a fragilidade deste tipo de transporte.

Quilómetros: Trezentos quilómetros separam a costa da Líbia da ilha italiana de Lampedusa.

Reclusos: A Organização Internacional para as Migrações (OIM) condenou o negócio do tráfico de imigrantes ilegais para a Europa. Os seus autores terão de ser levados à justiça. Por sua vez, muitos dos imigrantes ilegais que chegam à Líbia, rumo à Europa, estão a ser explorados pelos traficantes, que os obrigam a trabalhar sem remuneração, até 16 horas por dia. O trabalho serve de moeda de troca para um lugar nas embarcações que vão para a Europa e também para pagar a libertação da prisão.

Subsarianos: A maioria dos imigrantes que cruzam o Mediterrâneo rumo à Europa são oriundos da África Subsariana.

Traficantes: Máfias de traficantes cobram um pagamento a cada migrante. Uma viagem pelo deserto custa cerca de 4600 euros; por uma viagem marítima, a partir da Líbia, cada pessoa paga cerca de 1400 euros. Tendo chegado à Europa, até atingir o destino, num país do Norte, por exemplo, tudo somado, o sonho europeu pode rondar os 7900 mil euros por pessoa.

Um milhão: O número de pessoas estão prontas para partir da Líbia rumo à Europa ao longo de 2015.

Vigilância: A União Europeia rejeitou a operação de busca e socorro no Mediterrâneo, a operação Mare Nostrum, e duplicou o investimento na operação Triton, de vigilância das fronteiras europeias. A operação Mare Nostrum durou de outubro de 2013 a outubro de 2014. Era uma operação naval e aérea do Governo italiano. A operação Triton envolve oito países da União Europeia, entre os quais Portugal.

Por: Jorge Ferreira

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