A festa da misericórdia

Dezembro 2015 / Valores de sempre

No dia 8 de dezembro, começa o jubileu extraordinário ou o ano santo da misericórdia que foi proclamado pelo Papa Francisco. O Santo Padre, com este gesto, pretende que, neste mundo de desunião, individualista e de crueldade estrutural, os cristãos se lembrem que a misericórdia está no centro da sua fé.

Esta é uma oportunidade para a grande festa da misericórdia em que a Igreja recuperará esta dimensão fundamental da sua identidade. Eu gostaria de contribuir, refletindo sobre a maneira como podemos pôr em prática este desafio, servindo-me das obras corporais e espirituais de misericórdia. Mas, atenção, como alerta o papa, este ano de misericórdia terá de ter, necessariamente, uma dimensão comunitária e social e não poderá ser visto unicamente como expressão de uma piedade individualista da misericórdia. Este ano da misericórdia terá, inevitavelmente, de nos obrigar a sair de nós para irmos ao encontro de quem sofre e anseia por um encontro misericordioso.

Jubileu ou Ano Santo

Desde o século xiv que Igreja chama santo o ano em que os fiéis podem beneficiar de especiais graças, mediante a conversão e o desejo sincero de progredir na fé, na vida da comunidade e na prática das boas obras. Porque essas graças devem constituir motivo de alegria é que se fala em «jubileu», palavra que significa «grito de alegria».

Um coração misericordioso

A palavra «misericórdia» é composta por duas outras, latinas, que, em português, dão «mísero» e «coração». Assim, misericórdia é a capacidade de abrir o coração ao miserável, ao carente, é orientar o coração pela compaixão (paixão pelos/com outros), atitude que nos abre aos irmãos e que nos faz sofrer com eles. Neste sentido, o grande misericordioso é Deus, já que faz da história uma história misericordiosa de salvação: volta-Se para nós, mesmo sem o merecermos, procura-nos e cativa-nos, olhando misericordiosamente para cada um de nós. Segundo a Bíblia, Deus ama-nos com o coração de uma mãe. Jesus não se cansou de dizer que cada um tem de ser «próximo» do seu irmão, como o bom samaritano: «Sede misericordiosos como o vosso Pai do Céu é misericordioso» e «Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia».

Umas mãos misericordiosas

Ao longo da História, os cristãos nunca esqueceram este apelo de Jesus e, individual ou coletivamente, deram corpo a gestos e instituições que se esforçaram por assegurar a prática da misericórdia, sintetizada em catorze grandes âmbitos: sete da ordem do espírito (dar bons conselhos; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os tristes; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; rogar a Deus por vivos e defuntos) e outras sete inerentes ao corpo ou à vida biológica (dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos).

Ao refletirmos sobre as obras de misericórdia, é preciso ter consciência de que a nossa sociedade valoriza muito o que tem que ver com o corpo, mas tende a esquecer-se bastante do espírito. Por isso, devemos estar atentos e sensibilizados para não só nos esforçarmos e ajudarmos em tudo o que se relaciona com o suporte vital da nossa existência, mas, igualmente, nos empenharmos nas obras espirituais de misericórdia.

 

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Por: Abel Dias

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