A felicidade vem de dentro

Março 2014 / Valores de sempre

Ser feliz é o desejo mais profundo do coração humano. Vivemos numa sociedade que busca e valoriza desenfreadamente a felicidade. Mas o que é a felicidade? O que é realmente ser feliz? Onde é que o ser humano está a procurar a felicidade?

 Em latim, a palavra felix, que dá origem ao termo «felicidade», quer dizer «fértil», «frutuoso», «fecundo». Mais tarde, por evolução metafórica, já que o que é fértil é também propício e favorável, felix tornou-se sinónimo de afortunado, alegre, satisfeito.

A raiz de felix é indo-europeia e está relacionada com a ideia de amamentar, dar frutos. Acho interessante esta relação, visto poder revelar aspetos importantes sobre o que é realmente a felicidade. Para a mãe e para o filho, esse é o momento de maior felicidade: para o filho é a sensação de conforto, proteção, nutrição e para a mãe é uma sensação de plenitude e fertilidade. A etimologia faz-nos compreender melhor que a felicidade não vem de fora, mas de dentro. Assim como a mãe gera dentro de si o seu filho, dá-o à luz e amamenta-o, também nós geramos a felicidade dentro de nós: ela não depende dos outros, é gerada em nós, está dentro de nós, alimentamo-la e manifestamo-la aos outros. A felicidade é um momento durável de satisfação, em que o indivíduo se sente plenamente satisfeito e realizado.

Busca da felicidade

A felicidade é o nosso destino e vocação. Ela é inerente ao ser humano, todos a buscamos, todos a queremos. Se, por vezes, não a encontramos, é porque a procuramos no lugar errado ou de forma errada. Nessa busca muitos trilham caminhos mais «fáceis» ou alternativos com o intuito de serem felizes, mas acabam por se deparar com a deceção e o consequente arrependimento. Teimamos em buscar fora de nós o que está bem dentro nós. Santo Agostinho dizia: «Eis que tu estavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora.» Se a felicidade tende a ser perene e está no essencial, então ela não pode estar nas coisas efémeras, passageiras e transitórias. Ser feliz é buscar a felicidade e não ter medo de para isso renunciar ao supérfluo, ao efémero, para encontrar o essencial, o eterno. O presente pode não nos agradar, mas pode também não ser motivo de visível infelicidade pela expectativa e esperança que depositamos na construção de um estado melhor.

 Felicidade e prazer

Prazer não é sinónimo de felicidade. Em certos casos, pode até ser, mas não necessariamente e nem para sempre. O prazer que traz felicidade no momento presente pode ser a causa da infelicidade amanhã. A infelicidade costuma ser o resultado, a curto ou longo prazo, da busca da felicidade a curto prazo e de qualquer maneira. Mas, também, momentos felizes não são o mesmo que felicidade. Esta mentalidade errónea já fez vítimas demais. Somos chamados a cultivar a felicidade como um todo e não viver apenas momentos felizes. Como nos diz o Papa Francisco, «o dinheiro e o poder podem oferecer um momento de embriaguez, a ilusão de ser felizes, mas, no final, dominam-nos e levam-nos a querer ter cada vez mais, a não estar nunca satisfeitos».

 Ser feliz é…

Diz o psiquiatra Augusto Cury que ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos e saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um «não» e ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Uma pessoa só é realmente feliz quando tem o amor de Deus no seu coração. A pessoa feliz é satisfeita com o que tem, vive bem com as pessoas à sua volta e está sempre pronta a ajudar o seu irmão. É feliz aquele que, sobre o alicerce dos seus valores, é capaz de definir o seu projeto de vida e de o transformar em realidade.

 A verdadeira felicidade

Torna-se urgente educarmos os nossos adolescentes e jovens para a felicidade. Bento XVI deixou-nos um desafio: «Peço-vos que não busqueis uma felicidade limitada, ignorando todas as outras. Ter dinheiro torna possível ser generoso e fazer o bem no mundo, mas só isto não é suficiente para tornar a pessoa feliz. Ser grandemente dotado em algumas atividades ou profissões é algo positivo, mas jamais poderá satisfazer-nos, enquanto não apostarmos em algo ainda maior. Poderá tornar-nos famosos, mas não nos fará felizes. A felicidade é algo que todos nós desejamos, mas uma das grandes tragédias deste mundo é que muitos não a conseguem encontrar, porque a procuram nos lugares errados. A solução é muito simples: a verdadeira felicidade deve ser procurada em Deus. Temos necessidade da coragem de depositar as nossas esperanças mais profundas unicamente em Deus: não no dinheiro, numa carreira, no êxito mundano ou nos nossos relacionamentos com os outros, mas em Deus. Só Ele pode satisfazer a necessidade mais profunda do nosso coração!»  

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Por: Abel Dias

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