A cura da cegueira

Outubro 2014 / Bíblia-app

Depois de visitarem o Templo de Jerusalém, Cristina, Joel, Inês e Filipe foram com a catequista Matilde e o resto do grupo à parte velha da cidade, também povoada de muitas estórias e História, sobretudo evangélica.

Os jovens estavam boquiabertos, com a sensação de ter entrado num conto muito antigo, com personagens bem conhecidas. Ali, como que ganhava corpo o que até então só podiam imaginar de um tempo e um espaço tão longínquos… O fascínio era partilhado por todos.

Matilde aproveitou para lhes falar da cura do cego de nascença, ocorrida naquelas imediações.

Começaram por pegar no excerto do Evangelho de João onde se relata o caso. Inês leu:

– «Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os discípulos perguntaram-lhe: “Rabi (que quer dizer mestre), de quem é a culpa de que este homem tenha nascido cego, dele ou dos seus pais?” (Jo 9, 1-2)»

Matilde esclareceu:

– No tempo de Jesus vigorava a mentalidade de que Deus se vingaria dos pecados cometidos por alguém na geração seguinte. Naturalmente que a base disto era uma imagem distorcida de Deus, muito concebida à maneira humana de pensar e reagir. – E continuou: – O pecado é algo frequentemente mal entendido e cuja abordagem sempre provocou mal-estar e medo. Este medo ocupa, muitas vezes, o lugar do amor e da verdadeira devoção, funcionando como uma falsa motivação para fazer isto ou deixar de fazer aquilo. O que acham que é, afinal, o pecado?

Joel adiantou:

– É o mal que praticamos.

– Ou o bem que podíamos fazer e não fazemos – acrescentou Cristina –, ou porque não nos apetece, ou porque temos de nos esfoçar e não estamos para isso, ou…

Matilde prosseguiu:

– E, sendo assim, parece-vos que o pecado liberta ou aprisiona?

– Aprisiona! – responderam em uníssono:

Matilde ajuntou:

– O pecado é, sobretudo, tudo o que nos retira a paz interior e a liberdade. É uma cegueira! E, se não somos livres, deixamos de usar as coisas para construir um mundo melhor, e começamos a usá-las de forma oportunista e pensando única e exclusivamente em nós. A origem do mal, do pecado, está no mau uso que fazemos da nossa liberdade. Daí é que provêm as idolatrias, a mentira, a violência.

– O que são idolatrias? – perguntou Filipe.

– Há inúmeras realidades nas quais colocamos a nossa confiança e que não são de Deus, não procedem do amor – explicou Matilde. – Podem ser figuras famosas da música ou da representação, o dinheiro, o poder, ideias fixas, preconceitos e muitas, muitas outras. Até a preocupação excessiva com o que os outros vão dizer ou pensar de nós é uma idolatria. A idolatria é uma obsessão que o que faz é distorcer a realidade com mentiras. E as mentiras só se aguentam com violência. Por outro lado, a verdade é a realidade vista com um coração limpo, ao jeito de Jesus. Àpergunta que os discípulos lhe fizeram sobre de quem seria a culpa de o homem ter nascido cego, Ele respondeu: «Nem dele nem dos seus pais…»

– Mas então – observou Inês –, porque é que o homem nasceu cego?

Matilde elucidou:

– Não sabemos que questões de saúde estariam na base desse problema, mas como Jesus viria a responder, aquele homem nasceu cego para se manifestar nele a misericórdia de Deus. Na Bíblia, as curas físicas são geralmente sinais de curas interiores. A pergunta nunca deve ser: «Porquê?», mas sim «Para quê?»

– E porque é que queriam pôr a culpa em alguém, à força? – indagou Joel.

– Porque é uma via de distanciação do problema, de desresponsabilização e ilusão para não ter de fazer nada. É outra forma de cegueira! Jesus não se pôs para ali a ver quem seria ou não culpado, até porque essa não era a maneira correta de lidar com a situação. Pelo contrário, atuou – elucidou Matilde –, procurou ajudá-lo, ao invés de buscar a quem culpar. Vamos ler!

Inês, com a Bíblia na mão, finalizou:

– «Cuspiu sobre a terra, fez lama com a saliva, aplicou-lha nos olhos e disse-lhe: “Vai lavar-te à piscina de Siloé.” Ele foi, lavou-se e ficou a ver. (Jo 9, 6-7).»

Matilde rematou:

– Jesus mostrou-nos, com esta sua atitude, que a felicidade não é não ter problemas; é saber superá-los e crescer com tudo o que nos acontece. E que a verdadeira cegueira é não ver o essencial!

 

Pensa nisto…

Que situações de idolatria, mentira, violência, ou seja, de cegueira, conheço?

Como as abordaria Jesus?

O que posso eu fazer?

Por: Maria Mendonça

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