Todos os anos os cientistas dão a conhecer à humanidade novas espécies de plantas e de animais.
De uma maneira ou de outra, todos fazemos balanços. Passamos em revista o que fizemos – e o que nos faltou fazer –, o que aprendemos e o que descobrimos, os novos amigos, os êxitos nos estudos, no trabalho, nas relações humanas e, inevitavelmente, o que não nos correu tão bem. É essa consciência que nos permite reajustar rumos e melhorar.
Nestas páginas, vale a pena determo-nos no balanço dos biólogos, que olham para a biodiversidade do planeta e fazem as contas às novas espécies descobertas no ano anterior, organizam listas e até criam rankings das dez mais, ou das vinte mais qualquer coisa: as mais estranhas, as mais inesperadas ou, até, as mais raras, bonitas ou ameaçadas.
Entre essas novas espécies descobertas para a ciência em 2017 há uma pequena rã que tem a barriga transparente; uma aranha rara que vive na costa australiana e que passa a maior parte do tempo debaixo de água; uma flor entre o violeta e o azul de beleza única; um caranguejo cuja carapaça está coberta de pequenas protuberâncias com a forma de estrelas, e até um primata, um orangotango que, mal nasceu para ciência e já está ameaçado de extinção – falei-vos dele, num texto anterior, quando a sua descoberta foi anunciada, mas nunca é demais alertar para os problemas que as espécies enfrentam hoje, num planeta onde a Natureza está cada vez mais ameaçada.
A alegria de nomear as novas espécies
A maioria das novas espécies foram descobertas na Amazónia ou nas florestas tropicais da Ásia, onde a diversidade da vida continua longe de estar toda catalogada. Mas não só. Descobrir novas espécies também é hoje mais fácil porque os estudos genéticos que os biólogos têm à disposição dão uma grande ajuda: eles permitem perceber as pequenas diferenças entre as espécies muito parecidas entre si, que de outra maneira não seriam percetíveis.
Uma das alegrias de descobrir novas espécies é dar-lhes nome, e os cientistas geralmente escolhem pessoas ou algo importante como fontes de inspiração.
A pequena de rã com a pele da barriga transparente… como água, avistada na Amazónia, no Equador, foi pelos cientistas chamada Hyalinobatrachium yaku – em que yaku quer justamente dizer «água» em quíchua, a língua indígena que se fala naquela região.
Já a nova aranha marinha que vive junto à Grande Barreira de Coral, na costa australiana, na zona entremarés, e só muito raramente se deixa ver, foi batizada Desis bobmarleyi, em homenagem ao rei da música reggae, Bob Marley, cujas canções, segundo os biólogos, «promovem o amor e a amizade em todas as lutas difíceis da vida». É o melhor dos motivos.



