Amizade que dá vida

Novembro 2014 / Bíblia-app

No último dia que passavam na pátria de Jesus (e, por assim dizer, da Bíblia_app ao vivo), Matilde e os seus pupilos Filipe, Cristina, Inês e Joel vão a Betânia, uma aldeia muito perto de Jerusalém, no caminho do deserto, em direção a Jericó.

 

Betânia era a terra de Lázaro, Marta e Maria, três irmãos muito amigos de Jesus.

– Aqui passou-se uma das mais belas e comoventes histórias da Bíblia – adiantou Matilde.

– A da ressurreição de Lázaro? – interroga a vivaça Cristina.

– Costuma ser referida desse modo, mas mais correto seria aplicar o termo “ressuscitação” ou “reanimação”, porque Lázaro não “renasceu” para a vida eterna – esclarece Matilde. E continua: – Chamaram Jesus porque Lázaro estava muito doente e depois mandaram dizer-lhe que tinha morrido. Jesus, como bom amigo, pôs-se a caminho. Embora todos pensassem que Lázaro estava morto, que tudo tinha acabado, Jesus sabia que não era essa a realidade. Tanto que afirma: «Lázaro dorme e eu vou despertá-lo» (Jo 11, 11).

– Mas Jesus também chorou por Lázaro, não foi? – indaga Inês, na sua perspicácia.

– Jesus não chorou porLázaro. Jesus choroucom as irmãs dele, comungando do seu pesar. Ou seja, comoveu-se porque estava em sintonia com a família. Aliás, os Evangelhos falam-nos de situações em que Jesus chorava e ria. Ele manifestava sentimentos como qualquer pessoa. Peguem nos vossos tablets. Vamos ler: «Maria, uma das irmãs de Lázaro, quando o viu, disse-lhe: “Senhor, se tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido” (Jo 11, 28). Mesmo com os olhos rasos de água, Jesus perguntou: “Onde é que o puseram?” Maria respondeu: “Senhor, vem e verás. Está numa gruta fechada com uma pedra.” Então, Jesus foi até ao túmulo e disse com voz forte: “Lázaro, sai cá para fora. […] Desliguem-no e deixem-no andar” (Jo 11, 34-44).»

– Qual não terá sido o espanto das pessoas que lá estavam ao ver o morto sair e começar a andar! – observa Joel.

– E que emocionante deve ter sido o reencontro dos dois amigos! – acrescenta Filipe.

– Este episódio – prossegue Matilde – diz muito da forma de estar de Jesus. Havia uma família amiga em estado de grande ansiedade e tristeza. Ainda que tudo parecesse perdido, já que, como diz o povo, há remédio para tudo menos para a morte, Jesus não desiste e faz questão de ficar próximo para consolar, para dar alento e esperança. O acolhimento, a intimidade e a harmonia que existiam entre eles antes faziam agora muito mais sentido e eram mais necessários do que nunca. Contudo, Jesus não foi a correr para lá com aquela emoção estéril do «coitadinho dele, morreu». Não, Ele sabia que era preciso um certo arrefecimento do acontecido para que as pessoas pudessem compreender a situação. E, claro, teve de lidar com as más-línguas de sempre…

– Mas, afinal, o que é que se tinha passado com Lázaro? – sonda Inês, meio confusa.

Matilde sorri e explica:

– Todas as narrativas bíblicas são parábolas, isto é, ensinamentos através de símbolos. O caso de Lázaro reporta-se às pessoas mortas pelo pecado, pelos seus medos, pelos grandes sofrimentos que resultam de pensar que não valem nada, que a vida não tem sentido, que ninguém gosta delas, etc., e também aquela dor proveniente de relações que não são autênticas, só baseadas em interesses ou conveniências. Todas estas coisas retiram liberdade e vida, e Jesus veio para desatar tais correntes de morte, que destroem a alegria de viver e o futuro. Ele vai ao encontro das necessidades dos seus amigos e ajuda Lázaro a sair do túmulo e a família toda a perceber como era importante e amada.

– Nesse caso, o choro de Jesus não era de desespero, mas de compaixão pelo sofrimento – reflete Joel.

– Isso mesmo! – confirma Matilde. – Tal como o seu riso não era de troça ou gozo, mas de proximidade, de empatia.

– É rir com e não rir de – deduz Cristina. – Assim é muito melhor!

– Exatamente – apoia Matilde.

– Diz a raposa na história do Principezinho que «o essencial é invisível aos olhos». Mas eu acho que depois se veem as consequências… – conclui Filipe, o “filósofo” do grupo.

– Prova disso é que este relato não perdeu atualidade e Jesus continua a ressuscitar relações, a recuperar as pessoas, a dar-lhes vida… – remata Matilde.

Por: Maria Mendonça

Deixe uma resposta