Estamos no mês das «máscaras». O Carnaval permite-nos fingir ser aquele herói que nos fascina ou aquela personagem do filme de terror. Se no Carnaval colocamos «máscaras», é apenas para nos divertirmos, mas há pessoas que fora desta época as colocam, fingindo ser uma pessoa que nada corresponde à realidade, apenas com o intuito de enganar e muitas vezes magoar. Dou o exemplo de certos cibernautas que navegam pelas redes sociais.
A Internet veio alterar a nossa visão do mundo e a maneira como nos posicionamos perante ele. Com esta ferramenta, podemos viajar, comprar, comunicar, partilhar e receber informação, sem sair de casa. Alterou alguns hábitos do quotidiano que se tornaram obsoletos e fora de moda: a ida à biblioteca procurar livros para um trabalho, ir ao correio mandar uma carta, ir a uma loja comprar um produto.
Ciberamizade
Basta um clique e temos o mundo, a biblioteca, os livros, a loja, os «amigos» ao pé de nós. A vida social também se alterou. Construir amizades já não é o mesmo. Já não se marcam encontros na escola ou no jardim, pois virtualmente consegue-se esse encontro e, ao mesmo tempo, conhecer pessoas, fazer «amigos» através de um clique. O próprio conceito de amizade foi alargado: amigo não é apenas aquele com quem nos deparámos um dia, olhámos nos olhos e a partir daí foi-se construindo uma relação de amizade cada vez mais profunda. A amizade é alargada para o mundo virtual. Amigo é também aquele que se «encontrou» e «conheceu» na Internet.
Na tua sala virtual
Hoje assistimos a uma explosão de sítios de redes sociais tais como o Facebook, o Twitter, o Orkut, o MySpace… Estas redes sociais têm vários fins, mas a camada mais jovem utiliza-as com a finalidade de fazer os tais «amigos virtuais» e com eles trocar imagens, fotografias… O problema é que neste mundo virtual, tal como no mundo real, há pessoas com boas e más intenções. Alguns cibernautas colocam as tais «máscaras» e fazem-se passar por pessoas que gostaríamos de encontrar na vida real. Pessoas interessantes, sensíveis e corajosas que nos conquistam para depois facilmente nos enganar. Por detrás destas máscaras estão pessoas por vezes muito mais velhas e com más intenções. Através destas redes têm surgido sequestros com abusos sexuais, que atingem sobretudo as raparigas entre os 12 e os 15 anos. Só para teres uma ideia, em Portugal, em 2009, foram participados mais de 3000 desaparecimentos (jovens e adultos) apesar de apenas dez continuarem ainda desaparecidos, e o pior é que o número de situações de abuso potenciadas pelas redes virtuais tem continuado a aumentar.
A tua porta virtual
Provavelmente também tens um perfil numa destas redes, tal como todos os teus colegas. Podes explorar as suas potencialidades de uma maneira positiva, mas deves obrigatoriamente seguir algumas regras de ouro para não te expores aos «perigos virtuais», que afinal são bem reais. Eis algumas dessas regras: nunca coloques na tua página informações que te identifiquem (endereço de correio electrónico, número de telemóvel, morada, escola que frequentas…); se receberes um pedido de amizade na tua página pessoal, o ideal é aceitares apenas colegas que conheças, caso contrário, antes de aceitares alguém que desconheces, espreita primeiro a sua página. Lê o que escreveu, as suas fotografias e lê os comentários deixados por outros utilizadores. Se houver alguma coisa que te desagrade, ou que vá contra os teus valores, recusa adicionar essa pessoa à tua lista. Tem cuidado com as fotografias que colocas. Não deves colocar fotografias onde exponhas demasiado o corpo. Deves ainda ter o cuidado de as fotografias não revelarem a tua morada ou a tua escola.
Tem o cuidado de não colocares na tua página informações sobre colegas ou amigos, pois estas informações podem levar à sua identificação e pô-los em perigo. Nunca respondas a comentários ou conteúdos ofensivos que possam ser colocados na tua página. Apaga o comentário e a pessoa da tua lista de «amigos». Por último, e não menos importante, nunca aceites conhecer os amigos virtuais pessoalmente, marcando encontros, mesmo em locais públicos. Lembra-te de que a Internet é de facto uma janela para o mundo mas também uma porta para o perigo.
Boa navegação!