Com certeza já te encontras em férias… e, se trabalhaste de forma séria e empenhada durante o ano escolar, é agora tempo de descansar. Espero que desfrutes este tempo e que cresças em todos os sentidos e dimensões. Uma das experiências que talvez faças, durante este tempo, é o do contacto com pessoas/culturas/ambientes diferentes daqueles a que estavas habituado e isso pode ser uma riqueza, mas pode também criar alguma confusão e até medo. Ora, a pluralidade é um facto inegável, mas que nos remete inevitavelmente para a (procura da) unidade.
Vivemos, cada vez mais, em grandes metrópoles, cercados de pessoas muito diferentes de nós. Gente de todo o tipo de perfil profissional, político, cultural e religioso. Vivemos todos lado a lado, mas de certa forma isolados… Vivemos, assim, agrupados por várias razões (geográficas, religiosas, ocupacionais…), criando a totalidade da espécie humana, uma totalidade composta pela diversidade, que, no entanto, clama por unidade.
Há algo que nos une
Na procura por unidade, o respeito pelo outro assume-se como uma etapa fundamental. Somos diferentes, mas, também, somos todos iguais e há algo que nos une, constituindo a essência da Humanidade: a dignidade e o respeito que nos merecem os outros. Perceber quem está ao nosso lado e aceitar a sua expressão individual, dentro dos limites da cidadania, é fundamental para evitarmos os constantes conflitos entre nós.
No entanto, esta coexistência, muitas vezes, não se assume como colaboração, nem possibilita que desfrutemos de toda a potencialidade humana. Quanta criatividade e riqueza poderiam emergir destes encontros se soubéssemos estar uns com os outros numa perspectiva colaboradora possibilitado, assim, a construção de um mundo melhor! Assim, como gastamos energias e forças a afirmar a diversidade, também as deveríamos gastar a afirmarmos a necessidade da unidade.
O que significa a unidade
O princípio da unidade na diversidade está intimamente associado ao conceito da unidade da Humanidade. A apresentação de ambos os conceitos, dentro da proposta de uma educação formadora de novos hábitos e valores, traz à tona o surgimento de um novo tipo de cidadão, comprometido com uma visão mais ampla: preocupado não apenas com o local, mas também com o global; não apenas com a diversidade e a pluralidade, mas também com a unidade e a comunhão.
A unidade envolve um processo dinâmico de criar harmonia entre diversos povos e é diferente da uniformidade. Percebermos que, embora diferentes, somos iguais em dignidade; apesar de vivermos em diversos países, religiões e culturas, somos todos um só povo: o povo de Deus, a viver a cultura da humanidade, que nos faz iguais.
A construção da unidade
A unidade pode construir-se mediante a colaboração. Assim, a busca da unidade pressupõe, de cada um de nós, a capacidade de acolher o outro, igual a nós em dignidade, mas, inevitavelmente, diferente em personalidade e escolhas, e descobrirmos o que nos une num laço indissolúvel. O diálogo assume-se, por isso, como o único meio para o encontro com o outro, diferente de nós e, no entanto, igual. A ausência de palavras, o virar das costas ou a ameaça ao outro são atitudes de recusa em procurar a unidade e que nos levam, inevitavelmente, ao isolamento e à separação.
Mas a unidade é também um dom. Na cultura bíblica nós não fazemos a unidade, ela é fruto do amor de Deus, da acção do Espírito Santo em nós. O amor faz nascer o desejo de unidade, mesmo naqueles que sempre ignoraram tal exigência. O amor cria comunhão (comum-união) entre as pessoas e entre as comunidades. Se nos amamos, buscamos aprofundar a nossa comunhão, e (re)orientamo-la para a perfeição. O amor é a fonte, a união e a perfeita comunhão da Santíssima Trindade – a unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo –, que gera, igualmente, a união entre a Humanidade. Construir a unidade na diversidade é aceitar e reconhecer que as pessoas, diferentes por suas origens, se se amarem, podem conviver em harmonia e unidade, uma vez estabelecidos os limites e respeitadas as individualidades.
Hino à unidade
(Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares)
Todos se regozijam com a sua presença,
todos sofrem com a sua ausência.
É paz, alegria, amor, ardor,
atmosfera de heroísmo, de extrema generosidade:
é Jesus entre nós!
Viver para que Ele esteja sempre entre nós, para levá-Lo ao mundo
que desconhece a Sua paz, para termos em nós a Sua Luz!
Queremos doá-la a todos que passarem ao nosso lado,
não podemos conservá-la para nós somente,
já que muitos, muitos tem fome e sede desta paz plena,
deste gáudio infinito.
Se nós permanecermos fiéis à nossa missão – «Que todos sejam um» –
o mundo verá a unidade. Todos serão «um» se nós formos «um»!
E não tenham medo de renunciar a tudo pela unidade:
sem amar, superando toda e qualquer medida,
sem perder o próprio modo de raciocinar,
a própria vontade e os desejos,
jamais seremos «um»!
Sábio é quem morre para deixar Deus viver em si!
A unidade antes de tudo!
Têm pouco valor as discussões ou até as questões mais santas
se não gerarmos Jesus entre nós.