Valores de Sempre (EMRC)
Julho de 2010

(Comum)unidade
Por: ABEL DIAS, Professor


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Com certeza já te encontras em férias… e, se trabalhaste de forma séria e empenhada durante o ano escolar, é agora tempo de descansar. Espero que desfrutes este tempo e que cresças em todos os sentidos e dimensões. Uma das experiências que talvez faças, durante este tempo, é o do contacto com pessoas/culturas/ambientes diferentes daqueles a que estavas habituado e isso pode ser uma riqueza, mas pode também criar alguma confusão e até medo. Ora, a pluralidade é um facto inegável, mas que nos remete inevitavelmente para a (procura da) unidade.

 

Vivemos, cada vez mais, em grandes metrópoles, cercados de pessoas muito diferentes de nós. Gente de todo o tipo de perfil profissional, político, cultural e religioso. Vivemos todos lado a lado, mas de certa forma isolados… Vivemos, assim, agrupados por várias razões (geográficas, religiosas, ocupacionais…), criando a totalidade da espécie humana, uma totalidade composta pela diversidade, que, no entanto, clama por unidade.

 

Há algo que nos une

Na procura por unidade, o respeito pelo outro assume-se como uma etapa fundamental. Somos diferentes, mas, também, somos todos iguais e há algo que nos une, constituindo a essência da Humanidade: a dignidade e o respeito que nos merecem os outros. Perceber quem está ao nosso lado e aceitar a sua expressão individual, dentro dos limites da cidadania, é fundamental para evitarmos os constantes conflitos entre nós.

No entanto, esta coexistência, muitas vezes, não se assume como colaboração, nem possibilita que desfrutemos de toda a potencialidade humana. Quanta criatividade e riqueza poderiam emergir destes encontros se soubéssemos estar uns com os outros numa perspectiva colaboradora possibilitado, assim, a construção de um mundo melhor! Assim, como gastamos energias e forças a afirmar a diversidade, também as deveríamos gastar a afirmarmos a necessidade da unidade.

 

O que significa a unidade

O princípio da unidade na diversidade está intimamente associado ao conceito da unidade da Humanidade. A apresentação de ambos os conceitos, dentro da proposta de uma educação formadora de novos hábitos e valores, traz à tona o surgimento de um novo tipo de cidadão, comprometido com uma visão mais ampla: preocupado não apenas com o local, mas também com o global; não apenas com a diversidade e a pluralidade, mas também com a unidade e a comunhão.

A unidade envolve um processo dinâmico de criar harmonia entre diversos povos e é diferente da uniformidade. Percebermos que, embora diferentes, somos iguais em dignidade; apesar de vivermos em diversos países, religiões e culturas, somos todos um só povo: o povo de Deus, a viver a cultura da humanidade, que nos faz iguais.

 

A construção da unidade

A unidade pode construir-se mediante a colaboração. Assim, a busca da unidade pressupõe, de cada um de nós, a capacidade de acolher o outro, igual a nós em dignidade, mas, inevitavelmente, diferente em personalidade e escolhas, e descobrirmos o que nos une num laço indissolúvel. O diálogo assume-se, por isso, como o único meio para o encontro com o outro, diferente de nós e, no entanto, igual. A ausência de palavras, o virar das costas ou a ameaça ao outro são atitudes de recusa em procurar a unidade e que nos levam, inevitavelmente, ao isolamento e à separação.

Mas a unidade é também um dom. Na cultura bíblica nós não fazemos a unidade, ela é fruto do amor de Deus, da acção do Espírito Santo em nós. O amor faz nascer o desejo de unidade, mesmo naqueles que sempre ignoraram tal exigência. O amor cria comunhão (comum-união) entre as pessoas e entre as comunidades. Se nos amamos, buscamos aprofundar a nossa comunhão, e (re)orientamo-la para a perfeição. O amor é a fonte, a união e a perfeita comunhão da Santíssima Trindade – a unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo –, que gera, igualmente, a união entre a Humanidade. Construir a unidade na diversidade é aceitar e reconhecer que as pessoas, diferentes por suas origens, se se amarem, podem conviver em harmonia e unidade, uma vez estabelecidos os limites e respeitadas as individualidades.

 

 

 

 

Hino à unidade

 

(Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares)

Todos se regozijam com a sua presença,

todos sofrem com a sua ausência.

É paz, alegria, amor, ardor,

atmosfera de heroísmo, de extrema generosidade:

é Jesus entre nós!

Viver para que Ele esteja sempre entre nós, para levá-Lo ao mundo

que desconhece a Sua paz, para termos em nós a Sua Luz!

 

Queremos doá-la a todos que passarem ao nosso lado,

não podemos conservá-la para nós somente,

já que muitos, muitos tem fome e sede desta paz plena,

deste gáudio infinito.

 

Se nós permanecermos fiéis à nossa missão – «Que todos sejam um» –

o mundo verá a unidade. Todos serão «um» se nós formos «um»!

E não tenham medo de renunciar a tudo pela unidade:

sem amar, superando toda e qualquer medida,

sem perder o próprio modo de raciocinar,

a própria vontade e os desejos,

jamais seremos «um»!

 

Sábio é quem morre para deixar Deus viver em si!

A unidade antes de tudo!

Têm pouco valor as discussões ou até as questões mais santas

se não gerarmos Jesus entre nós.

 

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