Tela Encantada
Dezembro de 2013

O grande ditador
Por: JOÃO MARTINS


O humor é uma arte complicada. Fazer rir os outros é um grande desafio. Vários caminhos têm os comediantes encontrado. Uns seguem a via do absurdo, outros do ridículo. Alguns imitam figuras públicas, outros fazem caretas. Uns mais sofisticados, outros mais elementares. Os bons humoristas são raros, porque para o ser exige-se uma inteligência especial, que se mistura com poder de observação, de imaginação e de compreensão do espírito humano. E os grandes comediantes são em geral apreciados, porque rir é o melhor remédio.

 

Fazer rir através do ridículo

Charlie Chaplin foi ator, realizador, guionista, enfim um homem do cinema, mudo e falado, que marcou a Sétima Arte na primeira metade do século passado. Mas ainda hoje o seu trabalho pode ser apreciado, pois o tempo não apaga a qualidade quando ela é sólida.

Um dos grandes filmes protagonizados por Charlot foi O Grande Ditador. É necessário procurar o lugar desta obra de arte na história da humanidade. Estamos em outubro de 1940. A Segunda Guerra Mundial teve início há cerca de um ano. Hitler conduz a Alemanha na sua conquista da Europa. Por esta altura, já a Áustria foi invadida e subjugada ao poder nazi. É neste contexto, talvez no auge da força germânica, que O Grande Ditador foi levado à tela.

Chaplin desenha uma paródia à volta da figura de Adenoide Hynkel, o ditador da Tomania, que se prepara para invadir Österlich. O futuro imperador é apoiado pelo seu ministro da Propaganda, Garbage. As aproximações à realidade são evidentes: o ditador, já todos o sabemos, é Adolf Hitler; a Tomania é a Germânia; Österlich representa a Áustria, que em alemão se escreve Österreich; finalmente, Herr Garbage, que em português se diria «Senhor Lixo», figura o ministro alemão Goebbels, um dos grandes arquitetos do regime nazi. Chaplin cruza a ridicularização do ditador com os problemas dos judeus, no gueto. Ora, um deles é um barbeiro fisicamente igual a Hynkel, pois ambas as personagens são representadas por Charlot.

O filme é muito interessante e engraçado. Mas o seu valor vai muito além das gargalhadas que provoca. Numa Europa assustada por um louco e pelos seus planos megalómanos, Chaplin teve a audácia de tornar um monstro numa figura cómica. Mas nunca faz de Hynkel uma pessoa simpática. Ao contrário, o barbeiro do gueto, fisicamente igual ao ditador, gera a nossa empatia. Ambos nos fazem rir, ambos pela via do ridículo. Mas do primeiro gostamos, e do segundo não.

 

Aprender a rir

Muito está por aprender sobre o rir e como ele se desperta. Aqueles que sabem gerar gargalhadas dominam uma arte, mas desconhecem este profundo segredo: as causas profundas do nosso sorriso. Nem é isso que lhes pedimos. Queremos apenas que, de vez em quando, peguem num homem que fez chorar milhões de pessoas e o tragam para tela, mostrando quão ridículo era, fazendo assim rir milhões e milhões de pessoas.

 

 

 

 

Sobre o filme

 

Título: O Grande Ditador

Intérpretes: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Jack Oakie e outros

Realização: Charles Chaplin

Género: Comédia/ Drama/ Guerra

Duração: 125 minutos

 

Assiste ao filme: Encontras a versão integral e legendada em português no Youtube: http://youtu.be/09ITj4kRot4

 


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