Vária
Maio de 2012

Nigéria: país em chamas
Por: ELIO BOSCAINI, Jornalista


 

 

Não é a religião nem as etnias que dividem os nigerianos, mas a injustiça na distribuição dos bens.

 

 

 

No Natal passado, a Nigéria, país da costa ocidental de África, teve destaque nos órgãos de comunicação social de todo o mundo. As notícias relatavam os ataques contra os cristãos praticados pela Boko Haram. Trata-se de uma organização política fundamentalista islâmica, cujo nome significa «a educação ocidental ou não islâmica é um sacrilégio».

Há três anos (2009), esta organização perdeu o seu líder Mohammed Yusuf, que foi preso pela polícia, torturado e morto. A morte de Yusuf provocou grande alvoroço entre o povo hauçá, a população muçulmana que ocupa a parte norte do território nigeriano. Então, a Boko Haram levou a cabo represálias sangrentas contra os polícias e contra os políticos locais, todos muçulmanos. Mas imediatamente os ataques visaram o poder central e o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, que é cristão e pertence à etnia ijaw (são 10 por cento da população). A Boko Haram acusou o presidente Jonathan de ter permitido à polícia assassinar o seu líder. Foi então quando os atentados e ataques a quartéis da polícia e às igrejas cristãs se multiplicaram, causando mais de 500 mortes.

 

Pobreza que divide

Os ataques contra os cristãos continuaram depois do Natal, causando mais 80 mortes no período de 25 de dezembro a 12 janeiro. Isto desencadeou uma espiral de vingança contra os muçulmanos do Sul. A região sul da Nigéria é habitada pelo povo ibo, que são cristãos ou seguem as religiões tradicionais, nomeadamente o animismo.

Temeu-se uma guerra civil. Porque os extremistas islâmicos têm muita influência no Parlamento, sobre o Exército e até sobre os serviços de espionagem e segurança. Ou seja, dominam as forças de poder.

Mas o que alimenta o extremismo religioso e a divisão étnica é o verdadeiro problema da Nigéria: a pobreza. Setenta em cada cem nigerianos são pobres. A riqueza está nas mãos de 10 por cento da população. A corrupção é generalizada.

 

 

 

 

Primeira guerra civil

 

Entre 1967 e 1970, a Nigéria viveu a Guerra do Biafra, uma guerra civil para a independência da região sul, habitada pelos Ibos, que são cristãos e animistas. Esse conflito causou mais de um milhão de mortes.

 

 

 

 

 

País rico

 

E a Nigéria é considerada um dos países mais ricos do mundo, graças às suas imensas reservas naturais.

 

Superfície: 923 768 km2

População: 160 milhões

Etnias: mais de 250

Religiões: Islão (50 %), cristianismo (40 %), animismo (10 %)

Expectativa de vida: 48 anos

 


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