
O modo mais fácil de descrever a vocação missionária comboniana é contemplar o rosto e as vidas dos combonianos. Eles são padres, irmãos, irmãs, leigos e leigas. E conhecer Daniel Comboni, que fundou os institutos combonianos.
Só gostamos do que conhecemos. Ponto final. Para que sejam conhecidos, os Missionários Combonianos dão testemunho da vida que escolheram visitando paróquias, promovendo atividades com crianças, adolescentes e jovens, nas escolas e nos seus grupos, e organizando iniciativas em que se faz experiência de missão, como é o Sempr’Abrir – uma peregrinação a Fátima –, a Semana de Experiência Missionária, o Páscoa Jovem, e muitas outras ações que podes conhecer no sítio www.cvj.pt.vu.
Diz também a sabedoria que só amamos aquilo que nos traz algum tipo de benefício. E isso sem ser um amor egoísta. Porque o amor verdadeiro é aquele que nos faz querer o que nos torna felizes. É, pois, preciso conhecer para amar. Conhecer o que nos torna felizes, para o querer profundamente e, desse modo, alcançar a felicidade. E conhecer, neste sentido, é deixar-se interpelar pelo que de curioso, de belo, de cativante tem a pessoa ou o projeto de vida que nos seduz.
São exclusivos
A vocação comboniana é um dom de Deus, único e inigualável, para a missão cristã no mundo atual. Um padre de uma diocese tem uma vocação diferente da de um padre missionário, por exemplo. O primeiro permanece no seu país, até na sua área de residência. O segundo parte para outros países. O diocesano anima a fé de uma comunidade cristã já estabelecida. O missionário anuncia o Evangelho onde Jesus Cristo não é conhecido. E, entre os missionários, há diferenças: uns nasceram para evangelizar, fundando paróquias, outros evangelizam através do ensino, criando escolas ou lecionando em universidades, outros, ainda, evangelizam através da assistência aos doentes. Cada instituto nasceu com uma finalidade própria.
Tudo nasce de encontros
Na origem da vocação missionária comboniana existem encontros: com Cristo e com os outros. O conhecimento que as Missionárias e os Missionários Combonianos têm de Deus não é feito de teorias, mas é uma experiência de amizade. Conhecem e amam Jesus Cristo como Aquele que os cativa e que lhes traz a felicidade plena através de uma vida de fraternidade com povos de outras nações, de culturas diversas, com condições sociais desfavorecidas, e fiéis de outras religiões ou sem religião. Este encontro com Jesus Cristo é iniciativa Dele. Então, é preciso estar atentos e disponíveis. E a amizade com Jesus Cristo é nutrida diariamente na oração. E cada comboniano e comboniana é fiel a essa amizade através da vivência da castidade, pobreza e obediência.
O encontro com o próximo também alimenta a paixão que os missionários e as missionárias nutrem pelas missões. Eles partem. Não é que não gostem da família, desprezem os amigos ou não encontrem no seu país uma ocupação. Não! Eles vivem seduzidos pelo povo a que Cristo os envia. Quem é missionário em África, ou em qualquer outro continente, deixa ali o coração e só quer voltar para lá.
Gramática própria
Antes de mais, a vocação missionária comboniana conjuga-se com o verbo estar. O(a) comboniano(a) insere-se no quotidiano do povo a que é enviado e a quem anuncia o Evangelho. O segundo verbo é fraternizar. Os missionários e missionárias vivem em comunidades. Daniel Comboni inspirou-se no primeiro grupo dos apóstolos de Jesus Cristo. Ele exigiu que os seus missionários programassem, realizassem e revissem as atividades de evangelização em fraternidade. Ideais, planos, êxitos, fracassos, sonhos, frustrações são, deste modo, partilhados, apoiados, celebrados e/ou corrigidos.
O terceiro verbo é anunciar, através da transmissão da Palavra de Deus. O quarto verbo da vocação comboniana é envolver-se nos processos de transformação social que afetam os povos entre os quais os combonianos vivem, através do ensino, da assistência na saúde, da defesa da justiça, do trabalho pela paz, da defesa do ambiente…
O quinto verbo é servir, porque o comboniano nunca é o protagonista, mas vai em nome de Deus e da Igreja e só quer o bem do povo com quem está. Ele serve até ao desgaste total das suas forças, encarando até o martírio como prova suprema da sua entrega total. O sexto verbo da vocação comboniana é partir, e significa estar sempre de malas e bagagens prontas.