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Março de 2000

A família de que Jesus falou
Por: ABEL DIAS



A família é vista nos dias de hoje como uma instituição em crise. Não há tempo para os seus membros estarem juntos e manifestarem o seu afecto e amor. Todos andam muito ocupados. Hoje vou reflectir convosco sobre a família cristã.

 

Somos da família de Jesus?

Estava Jesus a falar à multidão, quando apareceram a sua mãe e os seus parentes, que, do lado de fora, procuravam o modo de poder falar com Ele. Para ajudá-los, alguém disse a Jesus: A tua mãe e os teus parentes estão aqui e querem falar contigo. Jesus respondeu ao que falara: Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos? E, indicando com a mão os discípulos, acrescentou: Aí estão minha mãe e meus irmãos; pois todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos Céus esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe, ver Mt. 12, 46-50.

Jesus nasceu numa família e aí cresceu experimentado o amor dos seus pais, o carinho dos familiares e a relacionar-se com as pessoas da sua aldeia. Foi também na sua família que aprendeu a amar a Deus e a amar o próximo. Aprendeu ainda o valor do trabalho para o sustento da vida. Foi igualmente aí que, pouco a pouco, foi tomando consciência da sua missão como filho de Deus e salvador da humanidade. Em Nazaré, Jesus cresceu em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens (Lc.2, 52).

 

Jesus “cria ” uma nova família

Jesus manifestou um Deus que é Pai (e mãe). Deu a conhecer um Deus que é gerador de vida e de amor. E demonstrou que o seu Pai e nosso Pai quer que os seus filhos façam a experiência de serem muito amados por Ele. Demonstrou-o dizendo que Deus é uma comunidade, que são três pessoas unidas por laços de profunda comunhão.

A experiência do amor divino ajudou Jesus a compreender o amor da sua família humana. Porém, impeliu-o a ir mais longe: a criar uma nova família. Esta nova família de Jesus já não será baseada nos laços de sangue. Estará, antes, fundada sobre os laços de serem todos família - pai, mãe, irmão, irmã - de Deus. Entende-se, então, que Jesus não quis menosprezar a sua família humana quando respondeu daquele modo aos seus discípulos. Pelo contrário, valorizou-a. Ele afirmou que todas as famílias, segundo o sonho de Deus, hão-de ser mais abrangentes. Já não têm em comum o facto de terem o mesmo pai, a mesma mãe ou os mesmos irmãos biológicos. Agora, a razão que as constitui e alarga é que os seus membros nascem de Deus.

Esta nova família criada por Jesus tem como mandamento amar como Deus ama. Nela, ninguém é inferior ou superior, mas todos são irmãos e esforça-se por viver como tal. É uma família que se realiza no serviço mútuo em vez de exigir ser servida. Esta família inspirada por Jesus escuta a palavra do Pai e faz festa cada vez que se reúne com Ele. E nela, quando as coisas não correm bem, todos são convidados a perdoarem-se mutuamente. E ainda, a nova família que Jesus criou não se limita a um espaço geográfico, nem a um determinado tempo da história. De igual modo, não se reduz a um povo. Ela pretende ser uma família composta por todas as famílias do mundo.

 

Tempo para realizar o desejo de Jesus

Cristo deu uma dimensão mundial à nova família. E o Seu desejo continua a ser que todos façam parte dela.

Passados muitos anos, o desejo de Jesus está ainda muito longe de ser concretizado. Olhando para a família actual de Jesus, os cristãos, vejo em muitos deles um certo contentamento por O terem como irmão mais velho. Contudo, há também muito comodismo e falta de coragem para O anunciar aos outros.

Já os apóstolos (Pedro, Tiago e João) tiveram as mesmas tentações que temos hoje. Eles, depois de terem experimentado a glória de Cristo, preferiam ficar instalados no cimo do Monte da Transfiguração. Até falaram em montar ali umas tendas. Jesus repreendeu-os, dizendo-lhes que ainda tinham que ir a outras aldeias.

Penso que hoje Jesus nos diria o mesmo que disse a eles: que devemos ir pelo mundo, porque há quem espere a oportunidade de encontrar-se com Ele, não só individualmente mas como comunidade, como família. Coabitamos todos na mesma casa (o mesmo mundo), mas quatro em cada cinco pessoas, actualmente, ainda não tiveram a oportunidade de se encontrarem com Ele. E ir pelo mundo é a tarefa principal dos missionários e missionárias, espalhados por todo o mundo.

 

 

O diário de uma mãe

 

O cardeal Maria Martini, arcebispo de Milão, Itália, escreveu uma carta aos habitantes da sua diocese por ocasião do Jubileu. E trata-se de uma carta original: imaginou o diário de uma mãe.

Nas suas páginas, aquela mãe foi apontando algumas atitudes e diversos sentimentos que constituem uma verdadeira família: a hospitalidade aos estranhos e aos familiares, como experiência maravilhosa; a beleza da vida presente nas pequenas atitudes, como a de expressar ao marido que o ama, o estar atenta ao estudo ou trabalho dos filhos e ajudá-los; a preocupação pela saúde dos pais e familiares; os momentos de oração, em que se “repousa” na paz de Deus; as visitas aos amigos e a escuta dos seus conselhos e das suas histórias; a tarefa sempre incompleta da construção da relação conjugal e da educação dos filhos, onde há que conviver com algumas crises de mau humor e algumas birras; a selecção dos momentos em que se dá espaço para falar do que se se sente no interior e aqueles em que a televisão tem a palavra.

Apontou ainda tantas, tantas coisas que alegram o coração daqueles que preferem partilhar o que são em vez de ficar sós no seu comodismo.

A versão portuguesa tem como título “Uma Bela família”.

 

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