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Vária
Maio de 2006

Aborígenes da Austrália
Por: FERNANDO FÉLIX



 

 

A Austrália possui cinco grandes áreas desérticas: o Victoria, o Sandy, o Tanami, o Simpson e o Gibson. Quarenta por cento do território são dunas de areia. Só os extremos a sudeste e sudoeste têm um clima temperado e um solo moderadamente fértil. Os aborígenes foram os primeiros habitantes da grande ilha do Sul.

 

Os aborígenes da Austrália descendem de emigrantes africanos que povoaram a Ásia e há 60 mil anos cruzaram o mar, utilizando canoas e toscas embarcações.

Os Ingleses colonizaram a ilha no século xviii. Encontraram 300 mil aborígenes, divididos em mais de 500 grupos, uns com apenas 100 membros, outros com 1500, conforme a diversidade e abundância de recursos alimentares. Falavam 200 línguas – hoje apenas 20 se mantêm fortes –, e faziam comércio entre si.

Os Ingleses trataram os aborígenes como pessoas de segunda categoria e foram bastante violentos com eles. Houve massacres enormes, leis discriminatórias e a religião quis apagar os traços dos cultos animistas. Actualmente, a Austrália tem 20 milhões de habitantes, mas os aborígenes são apenas 200 mil.

 

Vida dos aborígenes

Os aborígenes australianos têm em comum serem nómadas, caçadores e colectores de vegetais, e praticarem a religião animista. No deserto, as populações concentram-se onde há água, em acampamentos temporários. As habitações são simples refúgios. As famílias erguem pára-ventos com ramos e moitas e, se o solo for arenoso, escavam covas para ficarem mais protegidas do vento. Nas noites frias, dormem ao redor do fogo. O cão é o único animal doméstico.

Os homens caçam grandes animais, como o canguru, e pescam. São pacientes. A caça obriga-os a permanecer horas à espera, ocultos, atrás dos arbustos. As mulheres recolhem os vegetais e o mel, caçam animais pequenos e apanham crustáceos.

Os aborígenes não usam o arco e a flecha para caçar, mas servem-se de lanças, bastões e bumerangues. Para a recolecção utilizam o machado de pedra e o pau de escavar. Fabricam estes utensílios com madeira, ossos e pedra.

Preparam a comida directamente sobre as brasas: não têm recipientes de cozinha resistentes ao fogo.

 

Principais etnias

Os Aljauara são cerca de 500. São os únicos aborígenes que enterram os mortos.
A cremação dos cadáveres é mais comum. As pessoas importantes podem ser conservadas em troncos de árvore ocos.

Os Aranda também são poucas centenas; deixaram a caça e dedicam-se à pecuária. No deserto de Gibson vive um povo com o mesmo nome, de apenas 300 membros.

Outro povo pequeno é o Gurindji, com 250 elementos. Alguns são cristãos e há textos da Bíblia na sua língua.

De população igualmente escassa, os Mudbara trabalham nas reservas do governo da região ocidental do deserto; são cristãos. Já os Pitjantjara trabalham nas reservas governamentais na região central. São vários milhares de indivíduos, alguns cristãos.

Os Pintubi também são trabalhadores dependentes; vivem em reservas e trabalham para proprietários brancos na criação de gado. Os Ualpari totalizam 300 membros; vivem no centro do país; trabalham para o governo ou para criadores de gado.

Os Uarramunga também abandonaram o nomadismo para fazerem trabalhos remunerados; são várias centenas. No centro do país vivem cerca de 1500 Ualpiri; uns mantêm as tradições milenares, outros trabalham em granjas. Como os Mardus, que, todavia, são menos numerosos.

 

Os clãs

Os clãs identificam-se com um totem, que é a representação da divindade de que se dizem descendentes. Tem a figura de um animal, uma planta ou de um objecto, que não podem ser mortos, comidos ou destruídos, porque são sagrados.

Cada clã tem um território próprio, mas não possui direitos exclusivos sobre ele, já que outro clã pode obter autorização ou ser convidado a caçar lá.

Os casamentos fazem-se entre segundos primos. Em condições extremas, são possíveis as uniões entre clãs.

Não existe um governo tribal. Quando necessário, os chefes familiares desempenham transitoriamente o papel de chefes locais.

Os aborígenes não são guerreiros. Só recorrem à guerra em ocasiões raras, sobretudo para aplicar a justiça.

 

Religião e arte

A cultura aborígene caracteriza-se pela forte união de todos os seres – o Sol, o ar, a chuva, os animais, as plantas, os humanos... –, com a Natureza, o Ser superior que integra tudo. Nesta concepção, o ser humano não é superior, mas partilha a Natureza com os demais seres e todos são indispensáveis. E os humanos devem honrar a Natureza em tudo o que fazem.

Quando trabalham, rezam, se divertem e em qualquer outra actividade, os aborígenes usam a arte como meio de comunicação. Os instrumentos de trabalho são feitos com mestria e destreza e levam pinturas e inscrições, onde se contam as histórias do povo, do clã ou da pessoa, e se evoca a relação com as divindades. As pinturas do corpo ou em cascas de eucalipto usam como tema a mitologia ou retratam cenas do quotidiano.

A música é sobretudo vocal. O principal instrumento musical é o «didgeridu», que é a representação da Mãe Serpente, a criadora da Terra, e que consiste num tronco oco que amplia sons vocais. Para marcar o ritmo das mímicas e das danças usam-se bastões.

Há no deserto lugares de grande valor histórico, cultural e sagrado, como monólitos gigantes e crateras de meteoritos. De entre eles destacam-se três formações rochosas: o «Chambers Pillars», o «Kata Tjuta» e a «Ayers Rocks». Durante o pôr-do-sol, as rochas reflectem a luz solar e parecem estar em brasa. À medida que o Sol se põe, a pedra torna-se acinzentada, até acabar totalmente negra.

 

Curiosidade

Para os aborígenes, a Lua é um ser masculino, enquanto o Sol é uma figura feminina. A razão é a importância que dedicam à mulher, sem a qual não é possível a vida. Sem o Sol também não é possível a vida na Terra.

 

Dramas recentes

Entre 1910 e 1970, o governo da Austrália retirou 100 mil crianças aborígenes – a maioria de pele clara – aos pais e internou-as em centros educativos, para incutir nelas a cultura ocidental. Os Australianos chamam «geração perdida» a essas crianças.

Até 1962, os aborígenes não votavam. Puderam recensear-se pela primeira vez cinco anos depois. Contudo, ainda sofrem muitas discriminações: em comparação com a população branca, os salários são três vezes inferiores e os desempregados cinco vezes superior; a taxa de mortalidade infantil é o dobro; e, em média, vivem menos 18 anos. São a maioria dos reclusos nas prisões. Apenas 33 por cento dos aborígenes completam o ensino superior.

 

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